Dinheiro: o combustível para as corridas

por Sergio Milani

Desde o início, para que as corridas aconteçam, o dinheiro é o principal combustível

por Sergio Milani
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Alguns que me seguem no X (ou Twitter) já me perguntaram porque volta e meia posto informações sobre os balanços financeiros das montadoras. É assunto árido, reconheço. Mas está ligado diretamente ao bom andamento do esporte a motor…

Não é de hoje que se diz que corridas não se vencem somente nas pistas. Como também temos que lembrar que as competições de esporte a motor surgiram para promover produtos e chamar a atenção de sua qualidade. Um exemplo disso foi a Mercedes-Benz, que adotou o nome da filha de Emil Jellinek, empresário que vendia…e corria com os carros esportivos criados e construídos por Gotlieb Daimler e depois numa junção de esforços, tornou-se a Daimler Benz e o resto é história.

Até hoje, os orçamentos de competições entram na parte de divulgação (famoso marketing). Claro que existe a parte do desenvolvimento de novos métodos, conceitos e peças. Mas o principal objetivo é mostrar a capacidade da marca. Não é a toa que foi cunhada a famosa frase “ganhe no domingo, venda na segunda”, que já foi atribuída a vários…

Mas este campo depende diretamente dos ciclos econômicos. Não é à toa que os aspectos fora da pista tem que ser considerados (Em tempo: a paixão pelo automobilismo me fez sim querer entender um pouco sobre política, geografia, engenharia, economia e um monte de outras coisas) e impactam diretamente o comportamento dos atores envolvidos. Aí sim vem à mente a setença de Frank Williams, que F1 é um esporte que acontece durante duas horas aos domingos. De resto, são negócios.

Atualmente, estamos em um momento em que o fator econômico está em campo. Vemos algumas categorias crescendo exponencialmente de valor, mas num quadro desafiante para os fabricantes, especialmente no campo automotivo. De um modo geral, podemos dizer que boa parte dos fabricantes são atingidos por três fatores: tarifas dos Estados Unidos, preço do petróleo e ameaça de invasão chinesa.

Neste cenário, os planilheiros ficam indóceis, pois a palavra de ordem é rever capacidade de produção e cortar custos. Aí temos um festival de anúncios de baixas contábeis, prejuízos e demissões. E os gastos com competição acabam sendo aqueles olhados com “carinho redobrado” pelos ases do Excel.

Querem um exemplo? Apertada pelos investimentos feitos em carros elétricos que tiveram de ser revistos e a situação um tanto quanto periclitante da Nissan, a Renault decidiu descontinuar o investimento na nova Unidade de Potência para a F1 2026 e o projeto Dacia no Rali e Alpine no FIA WEC. A equipe de F1 ainda não foi à venda pois está avaliada de forma conservadora em cerca de US$ 2 bi.

As alemãs vão na base da sofrência: A Audi somente viabilizou a entrada na F1 com a chegada do Fundo Soberano do Catar assumindo cerca de 30% do projeto. Já a Porsche abriu mão do FIA WEC (aqui também por questões políticas). A BMW ainda segue investindo em competição, mas ainda poe em duvida uma possível continuidade nos Hypercars. Isso tudo com uma sequência de dados de vendas em queda e anuncios de fechamento de postos de trabalho.

Por outro lado, as marcas asiáticas se dividem: os chineses miram com cada vez mais apetite categorias como F1, F-E e WEC. Não é somente dinheiro, mas sim como vitrine para mostrar ao mundo a qualidade de seus produtos e capacidade de engenharia. Coisa que os japoneses fizeram anos atrás e agora ficam divididos: a Nissan faz o mínimo com a F-E e o GT japonês; Honda foca na F1 e nas motos (principalmente após um mega prejuízo em 2025) e a Toyota tenta mostrar musculatura, mas sua atuação em corridas depende muito do gosto de Akio Toyoda.

Sem esquecer a Hyundai: depois de anos discretos no TCR e no Mundial de Rali, os coreanos atacam no FIA WEC com o projeto Genesis (sua marca de luxo) e com uma abordagem muito interessante. Inicialmente, com o Hypercar e no próximo ano promete vir com o GT3. Objetivo? também se projetar diante do mercado.

Aqui também parece o objetivo de Cadillac e Ford neste campo. Nos últimos anos, as marcas tem investido em competição. Não só para divulgar, mas também para preservar. As marcas estadunidenses vem cada vez mais ficando restritas aos seus domínios e o esporte a motor é uma forma de divulgação especialmente com o jovem e de tentar criar uma imagem vencedora. Não é a toa que estão no Endurance e na F1.

Por isso é importante ver além das pistas. Decisões empresariais impactam diretamente as competições. Se você acompanha, vai entender porque determinada marca decidiu aumentar a exposição ou resolveu sair de alguma equipe e/ou categoria. Por isso que ainda seguirei falando disso no meu perfil e nos espaços onde estiver disponível até quando achar necessário.

Mais uma vez: corrida não se ganha só na pista. Segue o jogo…

por Sergio Milani
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