As características da F1 2026 fazem Monza ser mais diferente do que o habitual. E pode trazer uma corrida de extremos
por Sergio Milani
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Finalmente, a F1 chega ao local onde não é de hoje que se fala que seria o pior para o regulamento atual para a divisão de potência elétrica. Mesmo com o festival do clipping e estrategicamente a F1 não mostrando velocidades, Monza surpreendeu nos treinos e abre a porta para uma corrida que pode ser bem surpreendente.
Aprendemos que Monza é uma pista de alta velocidade e que as equipes trazem seus pacotes aerodinâmicos mais caprichados para buscar o mínimo de resistência ao ar. A configuração desta nova F1 já privilegia um carro mais “limpo”, ainda mais dentro de uma tentativa de recuperar parte da velocidade perdida. Além da recuperação de energia…
A tradição aqui se mantém parcialmente: quem tem um bom motor acaba por se dar bem aqui. Mas nesta F1 híbrida, não basta ser potente. Tem que ser eficiente. E aqui a Mercedes acabou por se dar bem: o maior exemplo foi o domínio dos carros com motores alemães e a surpreendente pole position de Pierre Gasly (foto).
A Alpine não foi uma das mais velozes nas medidas de velocidade máxima. Porém, o carro se mostrou muito eficiente em um traçado como Monza e o entendimento do uso da parte elétrica: Gasly conseguiu se manter entre os três primeiros nos dois setores iniciais e perdeu menos no trecho final, como visto aqui.

Uma das indicações para o bom desempenho da Alpine pode ter sido a configuração que os franceses escolheram para a abertura do aerofólio traseiro, que numa pista como Monza,reduz mais ainda a resistência do ar…
Outro ponto que ajudou foi um acerto mais agressivo para poder aproveitar os pneus da melhor forma. Porém, é uma aposta que se faz. A previsão de temperatura para a corrida é de ficar bem acima dos 30ºC e o asfalto ficar numa faixa de 45ºC.
Dona Pirelli trouxe as misturas mais macias para Monza. Mesmo com toda a abordagem extremamente conservadora para os compostos de 2026, a combinação calor x asfalto torna a gestão de borracha como algo crítico: o composto macio mostrou uma perda rápida de desempenho, ficando mesmo os compostos médios (C4) e duros (C3) como os favoritos.
A própria Pirelli indica que uma única parada é a opção mais rápida para a prova, com a largada com os médios e parando entre as voltas 24 a 30 para colocar os pneus duros. Ainda coloca uma opção de usar pneus macios, mas para isso teria que ter uma temperatura mais baixa…
Mas o que deve tornar a corrida bem animada é a gestão de energia. Para tentar reduzir o festival de bateria vazia, a FIA decidiu limitar a recarga para 7MJ (ao invés dos 8 e 8,5MJ habituais). Mesmo assim deveremos ter o festival de ultrapassagens para alegria dos telespectadores. Não por conta do modo de ultrapassagem, mas por ver quem souber usar a bateria do modo correto.
Não se espantem se, após a prova, a F1 disser que bateu os recordes de numero de ultrapassagens. Não será mentira, mas sim uma meia verdade. Agora, é ver se esta competitividade fabricada será escancarada ou se os pilotos poderão influenciar para que seja uma corrida realmente movimentada, de modo a atender os fãs da velha guarda e os “novinhos” que Domenicalli tanto tem agraciado nos últimos tempos.
Mercedes favorita? Russell tem uma chance de ouro para se reposicionar no campeonato. Antonelli tem motor novo e deve fazer uma boa escalada. Um Top5 é bem provável. Pódio será vitória. Ferrari recuperou terreno com o novo motor, mas vai depender de um pouco de sorte e competência na pista e na estratégia (xi…); McLaren mostrou um folego na classificação, mas em corrida fica a dúvida. Red Bull dependerá totalmente de Max Verstappen estar em um de seus bons dias…
Olhos em Monza.
por Sergio Milani
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