Tivemos atenuantes? Sim. Mas o que Antonelli fez em Monza merece ser guardado e bem reconhecido.
Por Sergio Milani
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Pode ser coisa de emocionado.
Talvez até seja mesmo.
Obrigado por ler Scuderia Milani – por Sergio Milani! Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.Subscrever
Tem coisa que não dá pra ignorar.
Não dá para deixar de lado que o W17 é o melhor conjunto da temporada.
Que um motor novo ajuda bastante, ainda mais em uma pista de alta velocidade.
Uma bandeira vermelha que motiva uma segunda largada parada e assim junta o pelotão.
Mais do que nunca estamos em um mundo de imediatismos. O grande de hoje é a porcaria de amanhã. Precisamos da urgência de mitos e da criação de heróis.
Mas assim é o mundo desde que ele existe.
Até podemos discutir depois.
Mas o que Kimi Antonelli fez neste domingo em Monza tem que ser muito bem guardado.
Desde o início do ano, mesmo com toda sua juventude, mostrou que entendeu bem esta nova F1, de uso de modos de ultrapassagem e gestão de energia. Talvez porque pareça um grande simulador?
É simplista jogar nesta casa.
Desde San Marino 1983, ficou claro que o italiano antes de tudo é um ferrarista. Busque no YouTube esta corrida. A festa das arquibancadas ficou clara quando Riccardo Patrese, um italiano, perdeu o controle e bateu, deixando a vitória para uma Ferrari. Pilotada então por um francês.
Mesmo com um italiano na liderança do campeonato de pilotos, Monza estava vestida de vermelho. Como sempre, os tifosi vem à sua catedral para torcer por sua grande paixão e esperar a materialização de mais um milagre de Maranello. Mas depois da largada onde Leclerc e Hamilton se enrolaram e da batida do monegasco, o jogo mudou.
Mais do que nunca, era hora de lembrar: Irmãos da Itália, a Itália despertou.
Era sim o momento de ver este batismo de Kimi Antonelli.
Pode até ser que não faça mais na sua carreira. Mas foi um dos momentos em que homem e máquina eram uma mesma coisa. Um homem em busca de cumprir a sua missão.
A F1 nada mais é do que uma competição para ver quem faz o melhor carro dentro de determinadas regras. É, antes de tudo, o triunfo da técnica. Quem consegue juntar física, mecânica, eletrônica, química e tantas outras matérias que a gente se enrola durante a vida para durar o máximo que pode com o topo de performance.
Mesmo diante do estado da arte da tecnologia, ainda é preciso o ser humano para conceber tudo isso. E domar este amontoado de fibras em círculos por 2 horas.
Domingo foi dia de show. Foi dia de Kimi. Uma perfeita conjunção entre piloto e carro. Além de uma otima execução de prova (sim, a decisão de parar para trocar de pneus foi importante. Russell poderia ter feito o mesmo? Sim. E aqui se alimenta a visão de que a Mercedes já escolheu seu favorito. Mas as condições da prova mudaram).
Verstappen fez uma boa corrida? Sim. Bortoleto fez uma ótima recuperação após duas péssimas largadas? Com certeza. Gasly merece palmas pelo que fez na classificação? Certamente, ainda mais por ser um piloto que merecia uma sorte melhor em sua participação na F1. Mas as escolhas cobram suas faturas.
A história foi escrita. E que este menino siga crescendo aos nossos olhos e nos surpreenda.
Temos nossos favoritos. Sempre.
Mas negar uma força da natureza quando ela surge, é pior. Ela volta e te golpeia mais forte.
Tudo foi eclipsado por Kimi. E só nos cabe aproveitar este momento.
Numa F1 que nos sobrecarrega por todo ano, nos soterrando com corridas em sequencia, notícias somente pela notícia e a forma cada vez derrotando o conteúdo, são momentos como domingo que nos refrescam. Que lembram o que nos faz acompanhar esta loucura e seguir nesse relacionamento tóxico e abusivo.
Obrigado, Kimi. Uma postura de veterano com os olhos de um menino.
Após o refresco, voltemos à programação normal. Mas temos um heroi. Por alguns dias, mas temos.
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