Norris e McLaren ficam juntos até 2030. Uma aposta para que ambos cresçam
por Sergio Milani
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Tempos atrás, Zak Brown, o todo-poderoso da McLaren Racing, declarou que estava feliz com sua dupla de pilotos e que poderíamos estar diante de uma “Era Norris” na F1, principalmente após a conquista do título do campeonato de pilotos em 2025. Pode ter soado um exagero de um chefe de equipe orgulhoso, mas é uma prova de confiança em seu pupilo.
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Salvo o exagero certas vezes da imprensa britânica, que joga mais lantejoulas sobre os seus (o que não deixa de ser algo inesperado, embora muitas vezes em uns dois os três níveis acima do aceitável), Lando Norris é sim um piloto muito bom. Talvez não seja um daqueles “fora de classe”, mas entrega performance em alto nível.
Essa excelência de Norris foi confirmada por Felipe Nasr. Em participação em um podcast, Nasr revelou que serviu como preparador do piloto na preparação para a F2 e percebeu ali que tinha algo mais do que um jovem piloto endinheirado tentando construir uma carreira no automobilismo.
Sim! Temos que lembrar que Lando Norris veio de uma família de “novos-ricos”: seu pai, Adam, trabalhava na Hargreaves Lansdown, um fundo de pensão. Ele convenceu a empresa a adotar um modelo mais agressivo de negócios, o que levou a uma multiplicação de ganhos na carteira do fundo e do próprio Adam, que posteriormente montou sua própria empresa, a Horatio Investiments. Até falei um pouco sobre isso lá em 2020 quando colaborei com o F1 Mania, sobre Norris ser o Stroll que adoramos.
A ligação Brown – Norris

Lando Norris era um nome que vinha se consolidando no cenário das categorias de base. Chegou à McLaren graças a uma premiação da Autosport e BRDC como revelação do ano em 2016. E Zak Brown percebeu ali uma boa combinação: um piloto promissor e de bolsos cheios.
Não podemos esquecer que naquele momento a McLaren vinha em um processo de esvaziamento acelerado aos olhos de todos e com Ron Dennis saindo pela porta dos fundos. Um nome como Norris ao seu lado poderia significar naquele momento uma promessa de renascimento, tanto esportivo como financeiro.
Inicialmente, Norris chegou como piloto de testes e de simulador, enquanto ia em paralelo fazendo F2 (sendo vice-campeão em 2018, tendo como companheiro Sergio Sette Camara na Carlin)e até competindo nas 24 Horas de Daytona (na United, time de Zak Brown, com Fernando Alonso ao seu lado). Em 2019, com 19 anos, se tornou titular na McLaren, tendo Carlos Sainz Jr como companheiro.
Uma das bases da reconstrução da McLaren foi Lando Norris. Em 2020, quando o time sofreu muito financeiramente por conta da COVID-19, a empresa do pai de Lando foi importante para apoiar o acordo do time para ter os motores Mercedes para 2021. Tanto que este movimento até motivou muitos rumores que motivaria uma posterior ida de Lando para a equipe de fábrica…
Ambos foram se retroalimentando e chegaram ao ponto que vemos hoje: uma McLaren rejuvenecida e lucrativa e um Norris campeão do mundo. Por este motivo mesmo que Norris e Brown são quase uma coisa só: Norris foi o campeão alimentado por Brown. Brown deu o caminho para que Lando crescesse. Hoje, é praticamente impossível ver este laço sendo rompido.
A renovação por si era algo que vinha sendo desenhado. Caso o acordo seja cumprido até o final (2030), o casamento Norris/McLaren terá simplesmente 14 anos de duração. É mais um exemplo de ligação de longo prazo na F1. Com as equipes confortáveis financeiramente – principalmente as de ponta – é mais fácil construir relações de longo prazo. No caso de Norris, sair da McLaren seria viável? Ainda mais em um momento em que o time recuperou um lugar no pelotão da frente e tem uma posição financeira bem diferente de anos atrás…
Uma ótima situação técnica e um belo salário. Norris fez da McLaren a sua casa. Uma “Era Norris” não parece ser provável. Mas que uma combinação histórica está em construção, é inegável. Norris deu um belo propagandista para Brown e este deu um time ao seu redor.
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