Em tempos de imediatismo, é bom lembrar que temos semelhanças na história da F1
por Sergio Milani
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Em tempos de caça cliques, vários focam no agora e não olham um pouquinho para trás. Claro, o que importa é o agora, o que aconteceu meia hora trás não importa mais. Este é a nossa ditadura do agora. No caso da F1, não é diferente.
Um dos temas mais palpitantes nos últimos tempos é a redefinição do calendário. Graças aos conflitos bélicos no Oriente Médio, as provas que seriam fariam parte foram devidamente suspensas ou estão em análise. Arábia Saudita perdeu, Bahrein inventou uma prova sob seu patrocínio na Malásia, Abu Dhabi e Catar ainda sonham, mas as perspectivas não são das melhores.
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Domenicali deu setembro como prazo final para decisão deste final de ano. Afinal de contas, não é simplesmente remarcar. Existem uma série de compromissos fechados com várias partes (TV, patrocinadores, promotores) e claramente há um impacto financeiro nisso. Não à toa, a F1 anunciou recentemente uma queda de faturamento e lucro no segundo trimestre este ano. E quer estancar a sangria.
Isso também impacta na definição de 2027. Afinal de contas, Bahrein é o lugar onde ocorre a pré-temporada e muito provavelmente seria o local de abertura. Arábia Saudita também estaria no início. Mas diante das indefinições, o quebra-cabeça fica complicado não só para a Liberty, mas para todos os outros envolvidos, equipes no meio.
Mas não seria a primeira vez que os podres poderes dos homens no Oriente Médio impactariam a F1. Em 1974, houve o risco de restrição por conta dos efeitos da Guerra do Yom Kippur (Egito/Siria x Israel) sobre o mercado de petróleo, o que não aconteceu. Em 1967, a Guerra dos Seis Dias (Egito/Siria/Jordania x Israel) também prometia impactar a situação, mas se deu um jeito. Caso semelhante em 1991 com a Guerra do Golfo (coalizão comandada pelos EUA contra o Iraque). Mas efetivamente houve impacto em 1957…
Originalmente, o calendário da F1 em 1957 previa a realização de 10 provas. Com exceção de Argentina e 500 Milhas de Indianápolis, todas na Europa. Mas uma crise militar acontecida em 1956 impactou o campeonato. Em julho de 1956, o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser anunciou a nacionalização do Canal de Suez, então administrado por franceses (que tinham construído) e ingleses (que haviam comprado a parte egípcia para abater parte da dívida externa). Após meses de negociações, o Egito declarou que o canal, que liga o Mar Mediterrâneo e Mar Vermelho, era seu.
Grã-Bretanha e França se opuseram à decisão egípcia, dada a importância estratégica da passagem, especialmente pelo petróleo, e planejaram uma intervenção militar. Conjuraram com Israel e invadiram o Egito no final de outubro, assumindo o Canal no início de novembro. Após muita conversa, se acordou um cessar-fogo e a entrada de forças da ONU para garantir a situação. A retirada total se deu em março de 1957, com a saída das tropas israelenses.
Tal situação impactou diretamente os preços do petróleo e da gasolina, principalmente. Naquele tempo, a responsabilidade dos custos de combustível eram dos organizadores. Como os custos aumentaram exponencialmente, os GPs da Bélgica (02/06), Países Baixos (16/06) e Espanha (20/10) foram cancelados. Um GP em Pescara (Itália) foi marcado para 18/08 para repor um deles. No final, o calendário da temporada de 1957 ficou em 8 etapas, vencida por Juan Manuel Fangio.
Como visto, mesmo os fatos presentes tem semelhanças com o passado. Não se deve pilotar olhando o tempo todo no retrovisor. Mas olhar de vez em quando é interessante…
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