A narrativa pode ter vendido uma corrida movimentada. Mas é preciso ver os detalhes de Baku
Por Sergio Milani! Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.

Uma corrida estranha para um dia estranho. OK, não é algo inédito para a F1 ter uma corrida no sábado. Mas fica algo esquisito no ar. Deste jeito foi o GP do Azerbaijão, completando sua nona edição. E que deu o primeiro grand slam (pole, vitória de ponta a ponta e volta mais rápida) à George Russell.
A situação começou a ficar mais tranquila para Russel durante a classificação de sexta, quando Kimi Antonelli acertou um dos muros de Baku e não pode passar do Q2. À esta altura, já era clara a superioridade da Mercedes sobre o resto do pelotão. O W17, mesmo sem tantas melhorias trazidas em relação aos demais, mostrou suas qualidades, especialmente em relação aos demais carros que também usam suas Unidades de Potência.
Aqui ficou clara a diferença de uma equipe de fábrica. A McLaren, cliente da Mercedes, sofreu para ter um bom desempenho, mesmo com um extenso pacote de modificações aerodinâmicas. Embora um dos focos fosse reduzir o arrasto – um dos pontos constantes de atenção da McLaren nos últimos anos – a gestão do uso de energia se mostrou determinante. Os carros laranjas nem deram para o cheiro.
Quem apareceu das cinzas foi a Red Bull. Os taurinos trouxeram mais um pacote aerodinâmico e pela primeira vez na temporada Max Verstappen não reclamou tanto do RB22. O próprio time considerou que este era o ponto que deveriam estar alguns meses atrás. O preço do túnel de vento antigo, correlação de dados com problemas e recomposição do corpo técnico pagam seu preço este ano. Não fosse o problema no motor na classificação para Verstappen… Hadjar voltou e mostrou um ótimo desempenho (tanto que foi confirmado para a próxima temporada).
Uma corrida, duas partes
Podemos considerar que foi uma corrida de duas partes. A questão da degradação de pneus se mostrou algo muito tranquilo para os pilotos graças ao excessivo conservadorismo da Pirelli nesta temporada. Então, salvo alguma intercorrência, seria uma única parada. E um passeio da Mercedes.
A coisa foi por aí neste sentido até a volta 30. Russell controlando bem a corrida, usando pneus médios e em ritmo de cruzeiro. Piastri assumiu a segunda posição, deixando Leclerc para trás. Aliás, a Ferrari mostrou mais uma vez o grande problema do SF-26: a fraqueza da Unidade de Potência, mesmo com as atualizações trazidas com as melhorias autorizadas pela FIA. A longa reta de Baku deixou os carros italianos a ver navios e a cabeça de Frederic Vasseur mais uma vez a prêmio.
Verstappen foi um nome interessante para a prova. Conseguiu dar um pulo na largada e ficou em terceiro. E ficou muito tempo acossado por Hadjar, que tinha saído com os pneus macios e, naquele momento, tinha mais ritmo do que o líder do time. Mas o time o orientou a manter a situação…naquela altura, Kimi Antonelli vinha em uma suave escalada, buscando entrar nos pontos.
Até que veio a volta 30, quando Alexander Albon teve um contato mais do que imediato com o muro (em tempo: a Williams trouxe um novo chassi para Baku e pode fazer alguma fumaça na parte final do campeonato). Aí, aquela corrida modorrenta se transformou….E aqui mostra porque Baku acabou caindo no gosto do público por conta da possibilidade do caos…
Após a troca de pneus por quase todos, se tornou uma bela corrida sprint. Que foi mais apimentada ainda com a manobra tresloucada de Franco Colapinto na primeira curva, que levou de roldão seu companheiro Gasly e Lando Norris. O argentino aprontou mais uma vez e, por enquanto, Briatore vem mostrando paciência com ele. A F1 precisa de um cara deste jeito para aprontar umas dessas de vez em quando…
Depois, Piastri acabou tendo problemas no freio e rodou. Mas à esta altura, Verstappen viu a oportunidade de vencer. A partir de então, tentou com sofreguidão se aproximar de Russell, mas sem sucesso. O britânico conseguia tirar vantagem do W17 nos dois primeiros setores da pista (especialmente no segundo), enquanto Verstappen recuperava no ultimo trecho, justamente na reta principal. Aqui, mostrou a efetividade da unidade Red Bull/Ford.
Ainda houve uma batida de Bottas na volta final, que deixou os dois próximos. Russell venceu por 196 milésimos, uma das menores diferenças da F1. A categoria pode até usar isso ao seu favor, mas é pintar um gato que ruge. Russell nao foi tão apertado assim e conseguiu ganhar folego para pensar em campeonato, ainda mais com chegada de Antonelli em quinto.
Baku não deixará saudades este ano. O desavisado que se pegar aos resultados, pensará que foi uma corrida muito disputada. Podemos dizer que as 20 voltas finais tiveram alguma emoção. Mas já tivemos coisas melhores. Que agora venha o inédito GP do Bahrein na Malásia…
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