Calendário F1 2027: Um carrossel de emoções

por Sergio Milani

Mesmo numero de etapas, mais Sprints…a F1 tem o seu calendário de 2027 divulgado e traz uma série de emoções aos fãs

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Já se falava que o anuncio viria nesta quarta. E veio. Liberty Media e FIA trouxeram ao mundo o calendário da temporada 2027 da F1. Antes mesmo de confirmar como a temporada deste ano terminará graças ao conflito do Oriente Médio (embora todos tenha a certeza oficiosa de que a categoria não irá a Abu Dhabi e Catar), saiu a escalação de onde a F1 passará.

Basicamente, mantem-se o esquema de 24 provas com o início no Oriente Medio (Bahrein e Arabia), depois a perna Oceania/Asia, a breve dupla na América do Norte (Miami e Canadá, graças às querências dos organizadores), volta à Europa, e nova ida a para as Américas, com uma escala prévia em Singapura. Para tudo terminar novamente no Oriente Médio.

Além das (boas) voltas de Portimão e Turquia.Mais uma vez, teremos duas sequências de três provas em três semanas: Austrália,Japão e China; Azerbaijão, Turquia e Singapura; e Austin (EUA), Cidade do México e São Paulo (Brasil).

Um ponto que não pode deixar de ser citado: em 2027, a F1 escapou de conflitos de calendário com provas como Indy 500 e longa duração como Bathrust, 24 Horas de de Nurburgring, 24 Horas de Spa-Francorchamps e 24 Horas de Le Mans. Sabemos que temos alguns “fominhas” no grid, como Max Verstappen e Lando Norris (que testou o Hypercar da McLaren recentemente). Seria interessante ver esta janela de oportunidade sendo aproveitada…

A grande novidade para a temporada é a ampliação do numero de Sprints. Domenicali e Ben Sulayem já tinham avisado que o numero iria aumentar para para 2027. Inicialmente, se especulava um numero de doze edições. No final, fechou-se com dez. É um aumento considerável em relação às seis deste ano. Em relação a este ano, só permaneceram Canadá e Grã-Bretanha. Mas as demais foram todas mudadas. Tivemos a volta de Interlagos e a inclusão de Japão, Austrália, Abu Dhabi e…Mônaco.

Sprint Races : ame-as ou deixe-as

Não há meio termo em relação às Sprint Races. Diz a F1 que realizou pesquisas com o publico e 75% dos entrevistados responderam que viam a Sprint Race como algo positivo e que agregava valor ao ingresso. Até aqui, tudo bem…

Desde quando as Sprint Race foram anunciadas, vi como algo positivo. Era uma forma da Liberty Media incluir mais provas ao campeonato sem que isso necessariamente significasse novas etapas.

Sem contar que se trata de algo positivo para muitos envolvidos: para o publico, tem a oportunidade de ver mais ação na pista. Os Treinos Livres acabam por ser aborrecidos às vezes; Para os promotores, a ação na pista acaba por garantir mais público e faturamento em outros campos envolvidos com o evento; Para a mídia, é um produto que, em princípio traz mais emoção e conteúdo. Para pilotos e equipes, uma maneira de obter mais pontos para o campeonato e assim aumentar a disputa.

Uma bela equação, não é mesmo?

Sim. Mas não é bem assim que funciona.

Embora o formato atual seja bem interessante e fácil de acompanhar, as Sprint Race simplesmente não renderam o esperado. Em outras categorias, este tipo de corrida traz bastante movimentação. Mas na F1, salvo exceções – e boa parte delas em Interlagos – as Sprint são uma bela procissão que só dá alguma emoção na largada, se transformando em um belo treino livre de simulação de corrida.

O aumento da quantidade acaba por dar mais algum animo, já que agora são basicamente 80 pontos em disputa (hoje são 48). Em uma disputa acirrada, qualquer ganho pode fazer diferença. Entretanto, os circuitos escolhidos acabam por causar um festival de emoções nos fãs. Ao mesmo tempo que se tem a volta de Interlagos, há a piada ruim de incluir Suzuka e Mônaco…

Aqui está o ponto: a ideia é muito interessante. Mas em um contexto de pouca ou nenhuma ação, não adianta aumentar o numero de Sprints. Na MotoGP, o quadro é bem melhor, a despeito do aumento de incidentes e acidentes. Tanto que a Dorna (hoje controlada pela Liberty Media) colocou as Sprint em todo calendário…

É bom para o faturamento? Sim. As Sprint ajudaram Liberty e equipes a descobrirem novas formas de ativação e exposição. Mas esportivamente, ainda fica muito a desejar

Quanto mais provas, melhor?

Aqui é um ponto que divide o público da F1. Muitos acham que quando mais corrida, melhor.Um exemplo sempre citado é o da NASCAR, que tem corridas em sua categoria principal em 36 das 52 semanas do ano.

Errado, não está. Quem gosta de velocidade, vai querer ver até corrida de bolinha de gude. Mas no caso da F1, mais corridas valem à pena?

Há de se levar em conta que a NASCAR corre dentro de um mesmo país, mesmo com distâncias continentais. Já a F1 viaja milhares de quilômetros, desafiando limites físicos e mentais. E aqui não se fala de pilotos e equipes, mas também de todo o corpo que acompanha, até mesmo o publico.

Até algum tempo atrás, havia um espaço interessante de tempo para poder descansar de uma temporada. Mas com o bombardeiro midiático, cansa demais mesmo que só acompanhar. Quando o final do ano chega, é uma situação bem desgastante. E quando menos se espera, se tem um descanso de 2 meses. Então lá vem pré-temporada, apresentações…

Claro que o faturamento é maravilhoso e todos querem dinheiro. Mas a que custo? Não seria melhor valorizar um pouco mais o produto, de modo a não cansá-lo por uma hiper exposição? Contando com as Sprint Races, basicamente teremos 34 corridas na F1 2027….

É uma opinião e faz parte quem concorde ou não. Mas é preocupante e é bom olhar o cenários em perspectiva. Confesso que a primeira visão foi de desânimo. Desde 1986 acompanhando a F1 e bateu este sentimento pela primeira vez. Porém, a gente segue neste relacionamento abusivo….

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