As condições de Sepang podem fazer o GP barenita mais malaio da história ser um tremendo sucesso ou uma chatice…
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Confesso que o horário dos treinos livres do famigerado e insólito GP do Bahrein na Malásia não permitiram degustar o valor de ter Sepang de volta à F1. Como automobilismo não paga as contas por aqui e havia um horário de trabalho a ser cumprido, as observações ficaram para depois…
Para a F1, os rumos tortos motivados pela beligerância irracional levaram a ter um retorno involuntário de Sepang. Como é bom ter um circuito com alma! Mesmo sendo uma criação de Hermann Tilke, mesmo quando apareceu, suas características já chamavam a atenção. Uma pista larga e fluida, com muitas variações de traçados. O fato de ter um clima quente e úmido, tendo a chuva, deixou a situação melhor.
Não é a questão de ser saudosista. Porém, em tempos em que os circuitos urbanos tomam espaço e os traçados permanentes se rendem à mesmice, Sepang é um prato cheio para o fã de velocidade.
A pista malaia acaba por trazer mais um desafio para os pilotos além de seu desenho: além do calor, a gestão dos pneus.
Este que vos fala já cantou em verso e prosa o conservadorismo da Pirelli em relação às escolhas feitas para esta temporada. Isso merece um artigo hora dessas. Mas voltando à Sepang: Uma das coisas que chamou a atenção foi a composição do asfalto.
A Pirelli não desconhecia totalmente a situação, já que tinha dados de outras categorias e esteve antes para definir qual gama seria escolhida. Levando em consideração as curvas de raio longo e a temperatura, foi indicado C2, C3 e C4, Só que o asfalto foi definido como uma “verdadeira lixa”.
Nos treinos livres, com uma temperatura de 57ºC no asfalto, os pilotos tiveram um tremendo trabalho para não arrebentar com os pneus. Com uma temperatura tão alta, o pneu esquenta rápido demais. Talvez no sábado seja menos pior, pois os dados reais foram obtidos e enviados para simulação. Mas a Pirelli ligou os alertas, com o responsável da fábrica dizendo que poderia ter mais de 2 paradas. E pior: o composto macio estava se comportando melhor do que o médio em relação à geração de energia, conseguindo durar um pouco mais.
(PS: Não é a toa que Verstappen decidiu segurar o uso dos pneus mais macios, ainda mais com o RB22 mostrando um bom desempenho logo de cara…).
Mesmo com o emborrachamento, não se espera uma melhora tão significativa da situação. Desta forma, fica a grande dúvida: os pilotos irão se jogar na roleta russa, tentando administrar os pneus, salvando jogos nos treinos para usar na corrida? Ou ainda a pior opção: todo mundo ir segurando o ritmo para tentar “esticar” os pneus.
Tudo bem que tem que se considerar o alto risco de chuva (tivemos fortes pancadas durante a semana) e o melhor entendimento da situação, auxiliado com o intenso uso dos simuladores. Mas é a dúvida que fica no ar.
O quadro que virá depois da classificação dará a pista do que poderá ser feito. Até porque temos alguns que podem ousar mais do que outros em termos de jogos separados para a corrida. Russell é um deles, ainda mais para tentar entender um W17 cheio de novidades. Verstappen também é um nome para se observar….
E aí fica no ar o fato recorrente de se pedir pneus que se desgastem mais para dar maiores possibilidades de competitividade. A Pirelli promete mudanças para 2027. Só que o foco é ver o que esse Bahrein Malaio nos dá.
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