De patinho feio à cisne, Hungaroring chega às 40 anos marcando seu espaço na F1, em mudança permanente
por Sergio Milani
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Este fim de semana, a F1 chega à Hungria. Até aí, nada demais. Mas são quarenta anos recebendo a principal categoria do esporte a motor. E ainda guarda uma série de simbolismos e datas na história, além da transformação da percepção do seu papel perante ao públíco e na própria F1.
Quando a Hungria chegou ao calendário em 1986, foi um acontecimento transcendental. Temos que lembrar que, naquele momento, o país fazia parte do bloco socialista, vinculado à União Soviética. Não era um projeto novo da F1 promover um Grande Prêmio naquelas paragens e quase conseguiu em 1983 fazer uma prova no coração de Moscou. Porém, burocracias e a morte de Leonid Brejnev (então líder da URSS e um louco por automóveis) fizeram o projeto não ter continuidade. Aliás, segue aqui um belo video do Primeira Fila contando esta peripécia…
Mas estamos falando de Bernie Ecclestone, um insaciável por negócios. Graças a seu lugar tenente Tamas Rohonyi, hungaro radicado no Brasil e que respondia pelo nosso GP, vislumbrou-se a possibilidade de sediar a prova em Budapeste. A primeira abordagem era uma prova no Centro da Cidade, porém questões ambientais impediram. Em seguida, veio a ideia da construção de um autódromo em um subúrbio de Budapeste, aproveitando um terreno usado para plantação de batatas.
Assim foi feito e, em cerca de 10 meses, com o suporte de boa parte da organização do GP do Brasil (além de Rohonyi, o diretor de provas Mihaly Hidasi, outro hungaro radicado no Brasil, também participou), surgiur Hungaroring. Um circuito moderno, com um traçado bem sinuoso. A primeira impressão dos pilotos foi a de um grande kartódromo e de difícil ultrapassagem.
A partir de então, a pista magiar passou a fazer parte de momentos marcantes da F1: a ultrapassagem sensacional de Piquet em Senna em 86; a briga entre Senna e Prost em 88; Mansell vindo igual a um louco do meio do grid e vencendo em 89; as voltas finais do GP de 90; Mansell faturando o título de 92; Primeiras vitórias de Hill (93), Alonso (2003), Button (2006) e Ocon (2021); Hill fazendo a corrida de sua vida com a Arrows em 97; Schumacher campeão em 2002; Hamilton largando sozinho em 2021….
E chama a atenção a transformação do caráter de Hungaroring. Ele ainda segue sendo um circuito de certa forma apertado e que exige um carro muito bem acertado para curvas e tração. Porém, ganhou velocidade e fluidez com as mudanças ao longo dos anos. A retirada do carrossel inicial em 89 já fez a pista ficar mais rápida. Depois, vieram as reduções de altura das zebras e as alterações de formatos. Podemos até dizer que hoje é um traçado de média velocidade…
Todo este contexto fez com que o público fosse perdendo a resistência com Hungaroring. De um circuito travado, hoje é a percepção de que é uma pista onde pode ter corrida boa, tanto por conta do tempo como pelo caráter estratégico que permite às equipes tentarem posições ousadas para se dar bem.
O governo húngaro garantiu a prova até 2032 e vem fazendo um belo processo de modernização, com a construção de um novo conjunto de boxes/camarotes e revisão de arquibancadas. E deve vir mais por aí, até mesmo para espantar a ameaça de Balaton Park, pista inaugurada há pouco tempo e que já recebeu a MotoGP.
por Sergio Milani
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