George Russell vence pela segunda vez na temporada 2026, mas ainda não convence. Verstappen maximiza o novo pacote da Red Bull, enquanto Antonelli administra. Ferrari tenta lutar, mas em vão
por Sergio Milani
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Podemos dizer que foi uma vitória com um brilho limitado. Mas, todo caso, é uma vitória. E era o que George Russell precisava para se manter vivo no campeonato. Após a corrida, o britânico falou muito da importância de manter o equilíbrio mental diante das adversidades.
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E o que não faltou foi adversidade. Russell chegou pressionado para o GP da Áustria diante do que fez nas ultimas etapas e do “atropelo” de Antonelli no início do ano. Embora não fale, tudo diz que Russell esperava que 2026 seria o SEU ano dentro da Mercedes. Porém, planos não se cumprem como queremos, mesmo com todo nosso esforço.
Desde o início do ano, a Mercedes se mostrou muito bem adaptada ao Red Bull Ring e, especialmente, ao calor que apareceu no fim de semana. Vimos nos últimos anos a Mercedes atuando como a Elza do Frozen, se sentindo à vontade em temperaturas mais baixas. Sem contar a preocupação com as baterias, que já tinham dado problema em Barcelona.
Russell ficou atrás de Antonelli na sexta e no TL3 de sábado conseguiu liderar. Até que veio a Classificação e a famigerada situação da bandeira amarela por conta da saída de Max Verstappen. Segundo a telemetria, reduziu a velocidade. Famoso caso de interpretação por parte dos Comissários e da Direção de Prova. Ficou no limite da legalidade. Boa sacada? Esperteza? O fato é que a pole do britânico acabou perdendo ligeiramente o brilho…
A corrida acabou sendo mais complicada pela falta de hidratação, o que impactou na pilotagem. A largada acabou sendo definidora, pois Antonelli se enrolou no início com um pedal de freio um tanto quanto longo e um Max Verstappen que lutou com tudo que podia, reenergizado pelo novo pacote aerodinâmico trazido pela Red Bull, que também emagreceu o RB22.
No fim, ainda foi possível segurar Max e Antonelli, que vinham atrás com pneus mais novos. Mas é aquela coisa: vitória vale de qualquer jeito e dá um animo para que Russell chegue em “sua casa” em Silverstone com vontade de seguir tirando diferença para Antonelli.
A situação ainda pesa para Russell. Mesmo esta vitória empanada e pouco convincente traz um alento dentro de sua briga interna na Mercedes e pelo campeonato. Para quem não tem nada, metade é o dobro….
Pontos de observação:
- O pacote aerodinâmico e emagrecedor do RB22 deu um novo alento a Max Verstappen. Segundo o próprio, pela primeira vez no ano ele sentiu em condições de efetivamente brigar pela vitória. A Red Bull sabe que tem de reagir para que possa segurar o neerlandes em casa. Reuniões já aconteceram, rumores desmentidos…
- A Ferrari optou por um pacote com menos pressão aerodinâmica para compensar a falta de velocidade. Para os treinos, funcionou. Mas para a corrida…Hamilton ainda tentou brigar, mas Leclerc se tornou um espectador privilegiado por não se sentir à vontade em seu SF-26. Dá-se conta que a equipe considerava este GP como um daqueles onde o desempenho não viria.
- McLaren ainda batendo cabeça com o MCL40. O pacote aerodinâmico novo não funcionou a contento e a principal reclamação é o desempenho em curvas lentas e a falta de pressão aerodinâmica. Justamente os pontos fortes dos anos anteriores.
- Racing Bulls pontuando duplamente mais uma vez. Lawson tentando se livrar da sombra de Tsolov, que vem fazendo boas provas na F2 (embora ainda não me convença).
- Audi vem trabalhando para consolidar o pacote. Soa neste momento pelo paddock que o R26 é um dos melhores projetos do ano, mas que o motor ainda é o ponto fraco do pacote. Aparentemente, não se sente a troca de Wheatley por McNish.
- Honda vem fazendo passos lentos para progresso, bem como a Aston Martin. Os japoneses ainda não deram certeza de quando trará uma versão revisada da sua unidade de potência, enquanto os britânicos dizem que uma “Versão B” está a caminho. Mas até aqui, um verdadeiro fracasso.
por Sergio Milani
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