por Sergio Milani
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Reza a velha lenda grega que o filósofo Diógenes saía pelas ruas de Atenas com uma lanterna acesa, mesmo em plena luz do dia, para buscar um homem honesto. Segundo ele, encontrar alguém honesto era eram qualidades tão raras quanto encontrar alguém na escuridão. Trazendo para nossos dias, podemos usar o exemplo de Diógenes para tentar entender as decisões da FIA/ACO (e a IMSA, por tabela).
Após vários meses de discussão, FIA e ACO aproveitaram a tradicional coletiva de imprensa na véspera das 24 Horas de Le Mans para divulgar as linhas gerais do pacote técnico dos Hypercars para o período 2030/2034. A classe foi o principal motor do grande crescimento da audiência do Endurance nos últimos tempos e agora estava diante de uma daquelas encruzilhadas determinantes para o futuro.
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Embora se reconheça tudo que foi feito até aqui, muitos dos pontos que se esperavam não se concretizaram inteiramente: os custos aumentaram bastante, o que espantou construtores privados e a convergência entre LMH (FIA/ACO) e LMDh (IMSA) foi conseguida à duras penas e imperfeitamente no WEC mas não vimos nenhum LMH além do Aston Martin Valkyrie indo correr no certame estadunidense.
Em resumo, o que foi anunciado nesta sexta na França:
- A janela aerodinâmica que os times e fabricantes poderão atuar será reduzida;
- Fica mantida a linha atual de liberdade de construção de carros próprios ou a contratação de modelos prontos com os fabricantes atualmente habilitados (Dallara, ORECA, Multimatic e Ligier);
- A utilização de sistema híbrido segue obrigatória, mas é liberado fazer o seu sistema próprio ou comprar um padrão. Ambos deverão seguir as mesmas especificações técnicas;
- Adeus à tração integral. Carros com tração traseira, bem como a recuperação de energia;
- Proibição de atualização por 5 anos (mínimo). Qualquer mudança deve ser avaliada pela FIA/ACO em nome da segurança, confiabilidade ou “em caso claro de baixa performance”;
- Aumento de 20kW (26cv) nos atuais motores a combustão, que geram cerca de 680cv.

Em princípio, uma linha que atende aqueles que queriam ter liberdade de seguir fazendo seus carros em casa (Ferrari e Toyota), bem como outros fabricantes que estavam satisfeitos com a formula que tinham (Cadillac). Além de lançar a bandeira de contenção de gastos e reduzir a diferença entre as plataformas, deixando o Balanço de Performance menos determinante (ouvi um olá para a Porsche?).
Podemos dizer que, em teoria, é uma fórmula que deixa a porta aberta para novos fabricantes entrarem e outros voltarem (não é Acura? Ou melhor dizendo, Dona Honda?). Até aí, tudo lindo e maravilhoso…
Porém, como já diz o velho ditado, o diabo mora nos detalhes. A apresentação lançou as linhas gerais, mas tem uma série de situações que ficam perdidas na neblina: o sistema híbrido passa a ter a mesma capacidade de potência para ambos os casos? Os carros atuais poderão ser aproveitados? O Balanço de Performance atuará em que elementos?
Estas são algumas das perguntas que surgiram a algumas pistas foram dadas. Mas nada conclusivo. O representante técnico da FIA falou, o Presidente do IMSA falou…mas ainda não se sai nada definitivo. Ainda teremos que aguardar o desenrolar das semanas e meses para ver o que emergirá da briga interna entre entidades e fabricantes. Até lá, cabe a nós andarmos com a lanterna ligada para tentar achar o sentido das decisões da FIA/ACO (e IMSA também).
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