A ascensão de Antonelli faz Russell perder espaço e a briga interna terá que ser tratada com muito cuidado por Toto Wolff
por Sergio Milani
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Para um chefe de equipe, uma das melhores coisas é ter pilotos de alto nível do seu lado. E uma das piores é ter que administrá-los. Os antigos diziam que é difícil ter dois galos de briga no mesmo terreiro. Este é o quadro que Toto Wolff tem hoje em suas mãos.
Não seria a primeira vez que enfrentaria isso. Nos tempos de Hamilton e Rosberg, foi necessária muita paciência e saliva para conduzir o dia-a-dia, principalmente depois de Barcelona 2016. Não à toa que Rosberg deixou a F1, alegando, como um dos motivos, a grande tensão e força mental que teve ao longo do ano na disputa pelo título.
No Canadá, George Russell sabia que tinha que era o momento perfeito para tentar se impor novamente perante Kimi Antonelli. Trata-se de uma de suas pistas favoritas e a Mercedes este ano está nadando de braçada diante da concorrência. E assim o fez na Sprint, numa briga que flertou com a tragédia, mas que no final deu certo. Na corrida, saindo da pole position, lutou até onde pode, quando o sistema elétrico do seu W17 resolveu pedir as contas.
A reação quando estava saindo do carro mostrou a frustração e o quanto Russell estava pilhado para ficar na frente de Antonelli. Além de ver a oportunidade que tinha de chegar mais uma vez na frente e se manter em condições de brigar pela liderança do campeonato e dentro da Mercedes. Depois pediu desculpas, mas sua natureza ficou exposta em praça pública.
Não se trata somente da disputa do campeonato de 2026. Mas de uma posição dentro do time: é um choque direto entre dois delfins cuidadosamente criados por Toto Wolff.
George Russell é um piloto Mercedes desde 2017 e construiu sua carreira cuidadosamente: cumpriu ferrenhamente a escalada das fórmulas de base, começou na F1 com a Williams em 2019 no lugar de Robert Kubica. Ali, teve a vivência de ser o dínamo de uma equipe que era sombra dos seus dias de glória. Como os próprios ingleses gostam de dizer, foi uma vivência para construção de caráter. Substituiu Hamilton no GP de Sakir de 2020, quase vencendo a prova. Até que em 2022 foi confirmado como um dos titulares da Mercedes.
A escolha de Russell deixou claro que Toto Wolff e a Mercedes o viam como o sucessor natural de Lewis Hamilton. E a disputa entre os dois acabou por ser bem ferrenha. Tanto que a vitória do time naquele ano veio justamente com Russell no GP de São Paulo. Nos anos seguintes, mesmo com as dificuldades do time em entender o regulamento com efeito solo, Russell conseguiu marcar seu espaço.
Em paralelo, temos uma abordagem totalmente diferente: Andrea Kimi Antonelli, um jovem italiano que, desde o kart, mostrava um talento natural. Seu pai, já devidamente enfronhado no mundo das competições, deu todo o apoio para o filho. Naturalmente, os times de F1 começaram a olhar para os potenciais vencedores muito cedo. A Ferrari avaliou, mas não considerou. A Mercedes não perdeu tempo…
Temos que voltar no tempo, quando Jos Verstappen era acossado por Mercedes e Red Bull para que Max Verstappen fosse para suas fileiras. Toto Wolff ofereceu uma vaga, mas dentro de um programa completo nas fórmulas menores, com a possibilidade de ir para a F1. Helmut Marko topou o pedido para que fosse direto para a F1 (àquela altura, Max estava na F3 Europeia) e o resto é história.
Toto Wolff não quis ter um caso Verstappen 2.0 e não deixou Antonelli escapar. O italiano foi cooptado e passou pelas categorias de base (pulando a FIA F3), além de um extensivo programa de testes com F1 antigos e nos simuladores da Brackley. Tanto que sua temporada na F2 em 2024 foi vista como um mero compromisso antes de chegar na F1.
Quando Antonelli foi confirmado na Mercedes para a temporada de 2025, Russell tinha a visão de que “agora era sua vez”. Afinal de contas, já se encaixava na categoria de “jovem veterano” e contava que Antonelli teria que passar por seu período de aprendizagem. Um exemplo: no primeiro Treino Livre que participaou, em Monza 2024, Antonelli simplesmente escapou na Parabólica.
2025 foi assim. Mas 2026, Antonelli simplesmente confirma até aqui a sua fama de “monstrinho” e simplesmente jantou Russell com farofa. Tudo bem que o britânico tem sido acossado por problemas, mas a frieza dos resultados se apresenta diante de tudo.
Ainda há muito campeonato para se desenrolar. Russell ainda pode se recuperar, mas o passado não o ajuda: somente 2 vezes uma diferença desta (43 pontos) foi revertida. Mas TotoWolff terá o trabalho de administrar suas duas criaturas. É um choque de modelos, mas como fica o coração do Cachorro Lobo diante de seus “filhos”? Oficialmente, ele diz que a briga está liberada e que, se for necessário, “puxará o freio de mão” para evitar problemas.
A ver como Toto Wolff tratará. Até agora, o caçula está na frente e o irmão mais velho não quer largar o osso. Os fãs da F1 gostam e Wolff ganhará mais alguns cabelos brancos…
Obrigado por ler Scuderia Milani – por Sergio Milani!
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