
Trinta anos depois de receber sua última prova válida pelo campeonato da NASCAR Cup Series, o histórico North Wilkesboro Speedway voltou a testemunhar uma atuação dominante. E o protagonista da noite foi Joey Logano.
Pilotando o Ford Mustang Dark Horse nº 22 da Team Penske, o tricampeão da NASCAR comandou praticamente toda a Window World 450, liderando impressionantes 323 das 450 voltas disputadas no tradicional oval de 0,625 milha (1,006 km) e conquistando sua primeira vitória desde o Texas Motor Speedway, em maio de 2025.
Mais do que uma simples vitória, o triunfo representou um renascimento para Logano e para a própria Penske em uma temporada marcada por dificuldades. O piloto saltou da 17ª para a 15ª posição no campeonato e abriu uma margem mais confortável em relação à linha de corte para os playoffs.
Desde os primeiros treinos, o Ford nº 22 mostrava velocidade. Ainda antes da largada, Logano demonstrava confiança no carro preparado pelo chefe de equipe Paul Wolfe. O otimismo rapidamente se transformou em realidade.
A corrida começou com Ryan Blaney largando na pole position, mas logo ficou evidente que o carro mais rápido da noite era o de Logano. O piloto da Penske assumiu o comando e passou a controlar o ritmo da prova, especialmente nas relargadas e nos longos stints sob bandeira verde.
A primeira metade da corrida apresentou equilíbrio entre os três fabricantes. A Toyota, representada principalmente pelos carros da Joe Gibbs Racing, mostrava excelente ritmo de corrida, enquanto os Chevrolet da Hendrick Motorsports e da Trackhouse Racing buscavam alternativas estratégicas.
Ty Gibbs, com o Toyota Camry nº 54 da Joe Gibbs Racing, foi um dos destaques iniciais, vencendo a primeira etapa da corrida. Entretanto, uma penalização por excesso de velocidade nos boxes comprometeu suas chances de disputar a vitória.
Outro nome que chamou atenção foi Shane van Gisbergen. O neozelandês da Trackhouse Racing realizou talvez sua melhor atuação em um oval desde sua chegada à NASCAR. Pilotando o Chevrolet nº 88, permaneceu constantemente entre os primeiros colocados e liderou 49 voltas, o segundo maior número da prova.
A corrida ganhou contornos dramáticos na volta 183.
Em meio a uma sequência de paradas sob bandeira verde, Alex Bowman tentou entrar nos boxes cruzando o tráfego e acabou se envolvendo em um incidente com Tyler Reddick. A bandeira amarela que se seguiu mudou completamente o panorama estratégico da prova.
Christopher Bell e Chase Elliott haviam realizado suas paradas pouco antes da neutralização e acabaram sendo os principais prejudicados. Ambos perderam voltas preciosas e praticamente viram suas chances de vitória desaparecerem.
Ryan Blaney também enfrentou problemas após uma penalização por excesso de velocidade, terminando a corrida apenas na 11ª posição, duas voltas atrás do vencedor.
Na parte final da prova, a disputa pela vitória ficou concentrada entre Logano e Denny Hamlin.
O veterano piloto da Joe Gibbs Racing colocou o Toyota nº 11 em posição de ataque e passou a pressionar o líder constantemente. Hamlin mostrava excelente velocidade nas longas sequências sob bandeira verde e parecia ser o único capaz de desafiar o domínio da Penske.
O momento decisivo ocorreu durante a última rodada de paradas sob bandeira verde.
Hamlin foi aos boxes na volta 359, numa tentativa de realizar o undercut. Logano respondeu imediatamente, parando uma volta depois. A execução perfeita da equipe Penske permitiu que o Ford nº 22 retornasse à pista ainda à frente do Toyota nº 11, preservando cerca de meio segundo de vantagem.
A partir daí, começou uma verdadeira partida de xadrez em alta velocidade.
Hamlin aproximava-se no tráfego, mas Logano administrava magistralmente os retardatários, impedindo que o rival encontrasse oportunidades para atacar.
As últimas 175 voltas transcorreram integralmente sob bandeira verde, transformando a prova em uma disputa de ritmo puro, gerenciamento de pneus e estratégia.
Ao final das 450 voltas, Logano cruzou a linha de chegada com 0s859 de vantagem sobre Hamlin, conquistando a 38ª vitória de sua carreira na Cup Series, igualando algumas das maiores lendas da categoria e consolidando-se ainda mais entre os grandes nomes de sua geração.
Chase Briscoe colocou o Toyota nº 19 da Joe Gibbs Racing na terceira posição, enquanto Ty Gibbs recuperou-se da penalização inicial para terminar em quarto.
Van Gisbergen completou os cinco primeiros após uma atuação extremamente consistente, resultado que o coloca em situação cada vez mais confortável na luta por uma vaga nos playoffs.
Bubba Wallace levou o Toyota nº 23 da 23XI Racing ao sexto lugar e foi o último piloto a terminar na mesma volta do vencedor.
Brad Keselowski, Todd Gilliland, Daniel Suárez e Ryan Preece completaram o Top 10.
A vitória também teve consequências importantes na disputa paralela do Desafio de Temporada da NASCAR. Gilliland continuou sua surpreendente campanha rumo ao prêmio de US$ 1 milhão ao superar Chase Elliott, enquanto Ryan Blaney eliminou Christopher Bell.
Com isso, Blaney e Gilliland decidirão o torneio no próximo fim de semana durante a tradicional Brickyard 400, no Indianapolis Motor Speedway.
Mas a noite em North Wilkesboro pertenceu inteiramente a Joey Logano.
Em uma temporada marcada por altos e baixos, o piloto da Penske voltou a demonstrar sua capacidade de dominar corridas em circuitos curtos, controlar adversários diretos e executar com perfeição as etapas decisivas de uma prova.
Mais do que uma vitória, o triunfo pode representar o ponto de virada de uma temporada que parecia escapar das mãos do tricampeão e que, agora, recoloca definitivamente a Team Penske entre os principais candidatos ao título da NASCAR Cup Series de 2026.

