Ben Sulayem: na FIA, ao infinito

por Sergio Milani

FIA aprova retirada dos limites para reeleição nos cargos e abre caminho para a permanência de dirigentes. Mohammed Ben Sulayem esfrega as mãos…

por Sergio Milani
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Não é de hoje que falo sobre as questões da FIA. Até porque depois que Mohammed Ben Sulayem assumiu o comando da entidade, o que não faltou foi assunto. O emiradense entrou na entidade já tendo que tratar a questão da prova final do campeonato da F1 de 2021 e depois veio emendando polêmicas…

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Podemos dizer que Ben Sulayem tem um jeito bem peculiar de administrar. No popular, alguns o chamariam de “boca de sacola”, até emulando um bom político brasileiro. Mas nao se pode esquecer que trata-se de alguém muito bem lapidado, tendo se formados nos Estados Unidos e com passagem nos meandros do Comitê Olimpico Internacional e da própria FIA.

Ben Sulayem sucedeu a Jean Todt, de quem era um dos Vice-Presidentes e que não o apoiou na campanha. A sua principal bandeira era a de “trazer a FIA de volta aos seus membros” e principalmente recompor o caixa da entidade, que sofreu bastante com a pandemia de COVID em 2020 e 2021.

Seu estilo trouxe inimizades em algumas frentes, especialmente na Europa e com a Liberty Media. Aqui, passa a questão financeira. Não podemos esquecer que a FIA é a dona da marca F1 e fechou um acordo de cessão da marca. Como a categoria é uma das vacas leiteiras da entidade, Ben Sulayem desde o início foi batendo de frente, mostrando que na verdade a FIA era a dona da F1 e que a Liberty deveria ouvir e – principalmente – pagar mais.

Aos poucos, Ben Sulayem foi se impondo e construindo o seu espaço. Expliquei bem este processo em um artigo no ano passado no Parabólica. Para o bem, fortaleceu uma série de programas de fomento aos organismos locais e colocou as finanças da FIA no azul (em 2025, a FIA teve um lucro operacional de 6,3 milhões de euros). Mas promoveu uma rotação de pessoal muito grande e um aumento do controle sobre o corpo eleitoral….

Nas eleições de dezembro, as chapas de oposição tiveram muitas dificuldades e as regras foram alteradas, o que motiva uma ação na justiça francesa até agora sobre isso. Mas Ben Sulayem e sua chapa foram reeleitos para mais um mandato de quatro anos e isso deu base para mais mudanças…

Tempos atrás, algumas notícias circularem a veio a confirmação nesta quinta (25/06): em Assembléia Geral Extraordinária, a FIA decidiu, entre outras coisas, retirar os limites de mandatos dos cargos da entidade, colocando-os em linha com os Conselhos Mundiais e o Senado (link aqui).

O que isso significa efetivamente? Foi retirada a restrição de 3 (três) mandatos de 4 anos e, por ora, permanece a restrição de idade. O Estatuto da FIA, especificamente o item 8.2, prevê um limite de 75 anos para qualquer cargo na entidade, com exceção de Presidente da FIA, Presidente do Senado e Vice-Presidentes de Mobilidade e Esportivos (que fazem parte da mesma chapa), que tem de ter 70 anos na data da eleição.

Agora, Ben Sulayem tem 64 anos (faz 65 em outubro) e está no início de seu segundo mandato. Em tese, ele teria como participar de mais um mandato e cumpriria o limite dos três mandatos. Entretanto, se este limite cai, abre as portas para a permanência indefinida de dirigentes e dá combustível aos detratores de Ben Sulayem, principalmente em relação à transparência das ações da FIA.

Isso abre espaço para que outras organizações vinculadas à FIA possam agir no mesmo caminho, dadas as restrições de cada país. Não é a toa que algumas vozes dão conta de um movimento semelhante na nossa CBA para acomodar a permanência de Giovanni Guerra à frente da entidade.

A questão é: No geral,Ben Sulayem entregou o que prometeu. A FIA vem fechando suas contas no azul, as organizações locais vem tendo mais recursos (pelo menos as aliadas) e tem reforçado sua posição na gestão das categorias esportivas e no aspectos automotivos. Mas a um custo de menos transparência e mais controvérsias.

A ver os próximos capítulos.

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