Leclerc e Ferrari: por falta de opções, o casamento segue

por Sergio Milani

A renovação de Leclerc com a Ferrari anunciada esta semana fala mais pela falta de opções do que pela confiança mutua

por Sergio Milani
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Confiança ou conveniência? Leclerc e Ferrari seguem juntos (fonte: ferrari.com)

Do mais absoluto nada, veio a notícia na ultima quinta (04/06): Charles Leclerc e Ferrari renovavam seu vínculo. Como virou praxe nos tempos contemporâneos, se falou em prazo “multianual”. Embora dados como estes não sejam amplamente divulgados, se tinha que o acordo vigente ia até o final de 2029. Agora, estima-se que o casamento dure até 2031.

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Leclerc e Ferrari estão juntos desde 2016, quando o monegasco foi trazido à Maranello por Nicolas Todt, que o apadrinhou em 2011 e bancou parte de sua aventura nas categorias menores. Logo ficou claro que os italianos tinham um bom prospecto em mãos e foram tratando com todo carinho. Não é a toa que aquele jovem, mesmo ainda na GP3, já andou tanto na Haas como na Ferrari.

Quando venceu o campeonato da F2 em 2017, o caminho para a F1 estava mais do que traçado. E não foi surpresa quando foi anunciado como titular em uma Sauber que passava por uma intervenção semi-direta do grupo FCA, assumindo o nome Alfa Romeo e com novos donos ligados ao sueco Marcus Ericsson.

Após um ano interessante como estreante, não passou estranho a ninguém quando a Ferrari confirmou que aquele jovem seria o companheiro de equipe de Sebastian Vettel em 2019. Os italianos abriam mão de Kimi Raikkonen e davam espaço a um piloto que soava como extremamente promissor, mas ainda carente de rodagem. Lembrou um caso que muita gente gostaria de fazer paralelos nas carreiras na Ferrari: Jean Alesi.

Desde então, ficou a marca de um piloto veloz, que tem potencial mas que ainda precisa trabalhar o lado mental (embora tenham acontecido avanços neste campo), bem como conviver com o “pacote” Ferrari, que todo ano chega cheio de expectativa e tropeça em problemas internos.

Mesmo com as mudanças internas (Leclerc passou por 3 chefes de equipe e 4 CEOs da Ferrari ao longo de vivência no time), a Ferrari vê o monegasco como um membro da família. E, mesmo com a chegada de Lewis Hamilton, Leclerc não se afetou e o que parecia uma convivência abrasiva, se transformou em uma dupla que funciona bem. Ao menos aos olhos externos.

A continuidade de Leclerc e Ferrari acaba sendo algo como um movimento de defesa para ambos os lados. A Ferrari tem um piloto que conhece suas entranhas e entrega velocidade e habilidade. Além disso, é uma situação que independe de uma possível continuidade de Hamilton no time (a versão mais corrente é que a opção de renovação está com os italianos). Caso o britânico saia, o time teria um elemento firme em sua composição para dar lugar ao novo (Bearman?).

Para Leclerc, a permanência neste momento é interessante. Se tem quase certeza que a Aston Martin o procurou. Porém, neste momento, o time britânico soa mais como um amontoado de boas intenções do que a perspectiva de uma realidade competitiva.

Uma mudança de maior grau poderia acontecer no caso de uma saída de Max Verstappen da Red Bull antes do término de seu contrato, previsto para 2028. Este seria um movimento que poderia espoletar um terremoto no mercado e sim aparecer possibilidades interessantes. Mesmo que Verstappen cumpra seu contrato, Leclerc teria 31 anos e ainda teria condições de entregar um alto nível.

Embora diga que confia no caminho que a Ferrari constrói, ficar onde está é um movimento interessante para Leclerc. Está em um lugar onde tem um latifúndio para chamar de seu no seio da Scuderia e do coração dos fãs do time. Se o mercado permitir, pode ir para outro lugar.

Para ambos os lados, é um casamento de conveniência. Aguardemos os próximos capítulos. A ver.

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