Adrian Newey e Aston Martin: Quando os gênios falham

por Sergio Milani

Os gênios não são infalíveis. Adrian Newey prova isso com o Aston Martin AMR26 e adiciona mais uma falha na sua carreira

por Sergio Milani
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Adrian Newey nos boxes da Aston: conseguirá ele salvar o AMR26 ? (Aston Martin Aramco F1 Team)

Que Adrian Newey é um dos gênios da engenharia da F1 é inegável. Seus projetos marcaram com força a história da categoria com vitórias e títulos. Não é a toa que nos tempos recentes, seu passe valia tanto quanto o de um piloto. Não houve espanto quando veio a notícia de que Lawrence Stroll abriu o cofre para trazer Newey para comandar a área técnica da Aston Martin.

Mas além de sua genialidade, os projetos de Newey se caracterizam por soluções extremas. Seus primeiros carros na March eram um tormento físico para Gugelmin e Capelli pois o chassi era muito apertado. Anos depois, na McLaren, chegou a conceber o MP 4/18, que era tão extremo que dava problemas de refrigeração e a suspensão quebrava sozinha (Alex Wurz que o diga…).

McLaren MP4/18 e Leyton House CG901: alguns dos fracassos anteriores de Newey

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É aquela coisa: faz parte do pacote.

Aí temos que lembrar da famosa regra do mercado financeiro e que se enquadra aqui: quanto maior o risco, maior o retorno. A Red Bull apostou nisso quando tirou Newey da McLaren e deu carta branca para que ele estruturasse a parte técnica. Demorou um pouco, mas no terceiro ano os taurinos estavam em condição de vencer provas e na sequência emendou uma sequência de 4 campeonatos seguidos.

Ao longo do período na Red Bull, Newey foi o coordenador da área técnica não somente na pista, mas também desenvolvendo pessoas e ferramentas de trabalho. As vitórias foram consequência deste trabalho intenso. Não à toa., quando o efeito solo veio de volta formalmente para a F1 em 2022, a experiência de Newey no início dos anos 80 não só na categoria (sua estreia foi sendo aerodinamicista do Fittipaldi F8 em 1980 após ter concluído seu curso de engenharia com uma tese sobre…efeito solo), mas também com protótipos e na Fórmula Indy, foi fundamental para que os taurinos pudessem ser dominadores mais uma vez.

Quando anunciou sua saída em 2024, o desafio da Red Bull foi fazer o Newerismo sem Newey. Sua chegada na Aston Martin veio a peso de ouro e com carta branca. Como ainda havia a quarentena a ser cumprida, o trabalho no carro de 2026 começou atrasado…

Newey foi Newey: acelerou processos e “sugeriu” à Honda fazer mudanças para tornar o carro mais extremo. Junte isso a uma fábrica nova em folha e muita gente recém-chegada. Essa foi a combinação que gerou o AMR26.

À primeira vista, um projeto digno de Adrian Newey: muito trabalhado em reentrancias e volumes. Porém, toda a beleza do bólido verde britânico foi por água abaixo nos primeiros testes, quando o motor Honda apresentou problemas quase insolúveis e os pilotos não se viram em condições de tirar conclusões sobre a qualidade do carro, que se mostrou também acima do peso.

Alonso e Stroll em ação em Silverstone: o conjunto AMR26/Honda tem sido um sofrimento para os pilotos (Aston Martin Aramco F1 Team)

O desenrolar da temporada mostrou o caos técnico do AMR26. Newey, que em princípio assumiria o posto de chefe de equipe, foi “exilado” na fábrica de Silverstone para trabalhar em uma solução. Em uma ação de retomar uma narrativa positiva e dar uma explicação para o grande público, a Aston Martin publicou uma extensa matéria com o chefe da área técnica, explicando tudo que tinha acontecido até ali e anunciando para breve uma extensa revisão do carro, já chamado de versão B.

O AMR26 já pode ser considerado um daqueles fracassos sensacionais de Adrian Newey. Mas não se pode negar que ele está trabalhando para tirar um coelho da cartola. Claro, já vai longe a época em que um carro de F1 saía unicamente da cabeça de uma única pessoa. Atualmente, o Diretor Técnico é uma espécie maestro de uma orquestra de centenas de técnicos, que trabalham incansavelmente nos escritórios, túnel de vento e pista para obter qualquer nesga de melhoria. Embora Adrian Newey tenha começado a trabalhar em estruturas mínimas, hoje é ele quem dá a direção e consolida o trabalho deste exército.

Lawrence Stroll deixou a chave da fábrica nas mãos de Newey para fazer esta estrutura funcionar. O início tem sido pedregoso. Mas não subestime a capacidade de recuperações de Sir Adrian. Sucessos passados não garantem retornos futuros. Porém os gênios podem acertar quando menos se espera….

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