BoP: o agente oculto que apimenta o WEC 2026

por Sergio Milani

Sempre polêmico, o BoP tem gerado muitas brigas no FIA WEC 2026, mesmo que não aparecendo

por Sergio Milani
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Hypercars e GT3 nas 6 Horas de São Paulo: O balanço de performance joga o fator importante no campeonato, mesmo que não apareça (Julien Delfosse / DPPI)

No último final de semana, Interlagos recebeu mais uma etapa da temporada 2026. As 6 Horas de São Paulo apresentaram um alto nível de desempenho, talvez representando a melhor prova disputada na volta da categoria no Brasil desde 2024.

Foi mais um capítulo de uma temporada que vem se mostrando extremamente disputada tanto na classe Hypercar mas também na LMGT3. Claro que os times trabalham para tentar otimizar seus carros, chegando inclusive a lançar mão dos pacotes de evolução (“evo jokers”) quando acham necessário. Porém, há um elemento que sempre esteve presente, mas que este ano age nas sombras : o Balanço de Performance. Ou simplesmente, BoP (do inglês Balance of Performance).

Esta foi uma ferramenta que os organizadores definiram para tentar “equalizar os desiguais”. O objetivo aqui é deixar um regulamento técnico mais “elástico”, de modo que cada um possa ter seu entendimento e/ou adaptação às características de cada carro.

No caso do FIA WEC, FIA/ACO (organizadoras) homologam os carros com base nos dados mecânicos e de aerodinâmica obtidos nas oficinas da FIA na Suíça e nos tuneis de vento da Sauber (Suíça) e Windshear (EUA). Com estes dados, é estabelecido o Balanço de Performance, considerando os seguintes dados:

Até o ano passado, estes dados eram divulgados amplamente, mesmo com a enorme restrição a qualquer comentário sobre o tema. Especialmente se fosse para falar mal. Para este ano, FIA/ACO decidiram que os dados do BoP seriam somente informados para os times. Fãs e imprensa ficariam totalmente no escuro e sem entender exatamente qual o impacto da equalização. Exatamente 3 meses atrás, escrevi um artigo falando sobre esta decisão e o quanto isso seria problemático para a confiabilidade do campeonato. O link está aqui.

Ledo engano.

Até aqui, tivemos 4 etapas (Le Mans incluída) e um campeonato muito disputado. Vários carros dentro do mesmo segundo e exigindo a todos envolvidos ter um cuidado muito mais redobrado nas corridas. Pilotos se obrigam a ser não somente constantes, mas também combinar com agressividade. Equipes tem que ser mais ousadas na gestão de prova. É como se FIA/ACO chegasse para o público e imprensa: “estão vendo? O campeonato não está bom? Pra que vocês querem saber de BoP?”

Por observação, conseguem se identificar padrões. Só que a incerteza ainda paira. Um dos pontos que se considera para esta nova fase foram alterações na composição do BoP. Embora não confirmem oficialmente, FIA/ACO decidiram manter a situação de pegar 60% das voltas dos carros (retirando os pontos extremos), mas não necessariamente usando a média móvel das etapas (se usavam 2 a 3 etapas em sequência no ano passado).

Além disso, os europeus decidiram olhar para o que seus amigos do IMSA fazem no mesmo aspecto. Como há uma convergência e os elementos do BoP são os mesmos, FIA/ACO resolveram usar um pouco da receita estadunidense: considerar o tipo de pista para definir os parâmetros. Isso auxilia a minimizar a adoção fria e simples dos dados, tornando melhor o espetáculo.

Em conversa, Marek Navarecki, um dos responsáveis técnicos da FIA, deixou claro que a sistemática do BoP sempre foi discutida com as marcas e equipes e que a entidade sempre esteve aberta a escutar. Tanto que, ao longo dos últimos anos, foi procurando diminuir as distorções existentes na aplicação. Embora se dê este ponto como preponderante para que a Porsche tirasse o 963 do FIA WEC.

A ver como ficarão as coisas na 2ª metade do campeonato. Até aqui, o “Agente Oculto” vem ajudando na competitividade do FIA WEC 2026. A intenção é reduzir sua importância. Mas isso fica para 2030…

por Sergio Milani
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