De Volta ao Verde: Restaurando o carro de Dario Franchitti nas 500 Milhas de Indianápolis de 2002

por Racer

O processo de restauração será sempre uma aventura incerta, mas a complexidade parece aumentar drasticamente com carros de corrida. Peças e informações são frequentemente muito escassas, e quem sabe quais desafios, surpresas ou – talvez – oportunidades nos aguardam?

Don Hoevel dirige uma oficina de restauração e preparação perto de Chicago e foi encarregado da restauração mecânica do chassi 015 do Dallara IR-02. O currículo de Hoevel inclui trabalhos para a Newman/Haas Racing; ele foi chefe de equipe de Cristiano da Matta quando o brasileiro conquistou o título da CART em 2002.

O antigo carro da Andretti Green Racing na Indy Racing League chegou até ele praticamente como estava após a última corrida de Tony Renna na temporada de 2002 da IRL, com a pergunta inicial do proprietário: “Você consegue fazê-lo funcionar?”

Quando o carro chegou, parecia estar relativamente completo, mas as coisas mudaram rapidamente. Hoevel relembra: “Retiramos os coletores de escape e dissemos: ‘Hum, temos um problema aqui.’ Olhei para as portas de escape e dava para ver o outro lado do motor porque não havia nada lá dentro.”

Hoevel conseguiu encontrar um motor Chevrolet Indy V8 de 3,5 litros completo da época, mas descobriu uma nova série de desafios.

“Começamos a ter dificuldades com a parte eletrônica”, admite ele. “Fazer o sistema de aquisição de dados do Raspberry Pi funcionar e depois programá-lo para que correspondesse à ECU acabou sendo um grande desafio.”

No fim, porém, Hoevel e sua equipe conseguiram fazer o carro funcionar novamente. E o projeto não se resumia apenas a superar contratempos; havia também uma surpresa positiva reservada.

“John Grunewald trabalhou comigo na Newman/Haas, mas ele ainda guarda as anotações da época em que estava na Team Green”, explica Hoevel. “Ele descobriu que era o carro do Dario para as 500 Milhas de Indianápolis de 2002: os números de série e os números do carro começaram a coincidir, e quando tiramos o encosto de cabeça, encontramos um ‘DF’.”

Todos os envolvidos decidiram trazer o Dallara de volta ao seu estado de 2002, como o carro com o qual Franchitti fez sua estreia nas 500 Milhas de Indianápolis.

Com a restauração mecânica concluída, era hora de entregar o carro a Mike Lashmett, chefe da Vintage Indy, que acompanharia todo o processo até a linha de chegada.

“O carro correu apenas uma vez com aquela pintura da 7-Eleven Big Gulp [nas 500 Milhas de Indianápolis de 2002]”, diz Lashmett, “então nossa principal fonte de fotografias foi o Museu do IMS. Analisei as fotos que mostravam as pequenas nuances e detalhes. A partir daí, foi só uma questão de deixar os especialistas fazerem o trabalho deles.”

Mike Levitt/Getty Images

OS PRIMEIROS 500 DE FRANCHITTI

Durante a guerra entre a Championship Auto Racing Teams (CART) e a Indy Racing League (IRL), as equipes da CART começaram a fazer “incursões” nas 500 Milhas de Indianápolis, com grande sucesso. A Chip Ganassi Racing participou da corrida em 2000 com Juan Pablo Montoya, que venceu como estreante, e Jimmy Vasser. Em 2001, a Ganassi foi acompanhada pela Team Penske, com Helio Castroneves e Gil de Ferran, que terminaram em primeiro e segundo lugar, e pela Team Green, com um único carro para Michael Andretti, que chegou em terceiro, à frente dos três carros da Ganassi. Isso mesmo, os seis primeiros colocados na principal corrida da IRL eram carros de equipes da CART.

Em 2002, no entanto, a Penske passou a competir em tempo integral na IRL, enquanto a Team Green e a Ganassi ainda eram consideradas azarões. Andretti, o estreante Dario Franchitti e Tracy se classificaram em 25º, 28º e 29º pela Team Green em seus Dallara IR-02 com motor Chevrolet – carros muito diferentes dos Reynard-Honda que pilotavam em tempo integral na CART. Nessa altura, Franchitti já havia conquistado oito pódios nos ovais da CART, mas ainda buscava sua primeira vitória.

Foi Tracy quem duelou com Castroneves pela vitória (e possivelmente a venceu), enquanto Franchitti (acima) chegou em 19º lugar.

Mais tarde naquele ano, o futuro astro da IndyCar conquistaria sua primeira e última vitória em um oval, pilotando um carro da CART em Rockingham, no Reino Unido, antes da Team Green – que se transformaria na Andretti Green Racing – migrar para a IRL em 2003.

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