F1: ADUO ajuda, mas não resolve a questão dos motores

por Sergio Milani

Às vésperas da divulgação da primeira rodada do ADUO pela FIA, a expectativa é grande, mas não resolve o problema de desenvolvimento logo

por Sergio Milani
Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.

Esta semana temos o GP de Mônaco e também a divulgação pela FIA dos resultados da primeira rodada de medição do desempenho dos motores dentro do ADUO (Additional Development and Upgrade Opportunities – Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Melhorias) conforme prevê o regulamento técnico da F1.

Até agora, o que temos de concreto neste campo é a entrada em vigor do novo sistema de medição da taxa de compressão dos motores a combustão (ICE). A partir de 1º de junho, não se utilizará mais a temperatura ambiente para aferição da taxa de compressão, mas sim um valor de 130º C (centro e trinta graus celsius).

Obrigado por ler Scuderia Milani – por Sergio Milani! Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.Subscrever

Se formos voltar para alguns meses atrás, aqui se dizia que morava a vantagem da Mercedes. Os alemães teriam encontrado um modo de burlar a medição, especulando-se que teriam conseguido chegar a taxa prevista no regulamento anterior (18:1), o que daria mais potência e assim também impactaria na gestão da parte elétrica. Não se comprovou nada, mas a dúvida ficou….

O regulamento prevê o seguinte:

a) Fabricantes com performance com pelo menos 2 a 4% abaixo do valor de referência do melhor motor a combustão tem direito a uma atualização nesta temporada e na de 2027.

b) Fabricantes com performance com mais de 4% abaixo do valor de referência do melhor motor a combustão tem direito a duas atualizações nesta temporada e na de 2027.

Algumas semanas atrás, foi acordada uma alteração no Regulamento Financeiro dos Fabricantes, criando uma classe de gastos e uso de dinamômetro para fabricantes que estivessem até 10% abaixo do melhor motor. Aqui, todos entenderam que foi uma forma de acomodar a Honda, que tem tido um desempenho sofrível até aqui, embora este valor a ser gasto a mais agora acaba por ser retirado mais à frente.

E não podemos esquecer que, além do ADUO, o regulamento prevê uma série de itens que podem ser atualizados em 2027 mesmo que os motores não se enquadrem nas faixas estabelecidas. E mesmo aqueles que estejam aptos a usar as melhorias, tem que submeter as modificações para a FIA e existe uma limitação da utilização….

Como assim? A Tabela 1 da Seção C dos Regulamentos da F1 listam os 84 itens que estão no perímetro dos motores a combustão (ICE) e itens que podem ser mexidos devem ser submetidas à homologação, respeitando os limites de gastos e testes previstos. Diante disso, os fabricantes tem que priorizar aqueles itens que devem ser mexidos. Para quem quiser saber, os links dos regulamentos da FIA estão https://www.fia.com/regulation/category/110.

Desta forma, o ADUO ajuda, mas não resolve de uma vez as diferenças vistas até o presente. Enquanto a FIA não divulgar seus resultados (que não foi claro se serão divulgados ao público ou ficará restrito aos fabricantes), tudo será especulação.

A única fabricante que se especula abertamente sobre as medições é a Ferrari. Alguns dizem que os motores italianos se posicionam na primeira faixa de atualização. Outros veículos dão conta que a Ferrari espera se enquadrar na segunda faixa, com direito a mais atualizações. A Motorsport italiana vai até mais longe e diz que um motor já com modificações estaria disponível no GP da Áustria (28/06).

Fora isso, somente a Honda é dada como é dada como confirmada no grupo de quem terá mais atualizações. Entre as demais, fica a dúvida. Porém, há de se considerar uma coisa. Se considerarmos como verdadeiros os dados de que o melhor motor a combustão está gerando cerca de 540 cv, estamos falando possíveis diferenças entre 10 e 50 cv.

Reduzir ou eliminar ajuda na competitividade? Com certeza. Mas não deve ser vista como uma solução de todos os problemas, ainda mais em um regulamento mais permissivo no campo da aerodinâmica (até mesmo para compensar a famosa questão da recarga de energia. E nem estamos falando da decisão de mudar a composição de potência para 60/40 em 2027…o ADUO já nasce morto ou temos cheiro de um novo puxadinho?

Obrigado por ler Scuderia Milani – por Sergio Milani!

Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.

Voce pode gostar também