Ben Sulayem expos um pouco mais de seus planos para os motores da F1 em 2031, mirando em soluções passadas
por Sergio Milani
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Não é de hoje que o loquaz e pernóstico Presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, vem dando sua visão do que poderia ser o futuro dos motores a F1. O mandatário emiradense faz questão de lembrar que é a sua entidade quem dá a última palavra sobre a F1, já que a Liberty Media é dona dos direitos comerciais, mas cedidos pela FIA, que dá as diretrizes técnicas e esportivas em último caso.
Sua mais nova trincheira é a modelagem dos motores do novo ciclo técnico da F1, previsto para começar em 2031. Desde o ano passado, Ben Sulayem vem direcionando que não se vê a vontade com a configuração atual, advogando mudanças até mesmo antes do tempo previsto.
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São palavras bonitas e que vão de encontro ao que boa parte do respeitável publico pensa. Porém, certas horas parece que o mesmo Ben Sulayem se esquece que o regulamento técnico atual passou pela chance da entidade que preside e com a participação de equipes e fornecedores.
Semanas atrás, Ben Sulayem falou na volta do V8 à categoria, dizendo que já havia uma concordância sobre o tema e que era preciso reduzir a influencia das montadoras na definição da configuração. Este fim de semana em Silverstone, o comandante reuniu-se com alguns jornalistas e detalhou um pouco mais seus planos. Inicialmente, o portal The Race foi quem divulgou o resultado deste encontro nesta segunda (06/07).
O que chamou mais atenção na fala de Ben Sulayem foi a proposta de lançar mão de um procedimento que, soa interessante, mas de funcionamento duvidoso. Com vistas de reduzir a diferença entre equipes clientes e oficiais, bem como a influencia das montadoras, a proposta é que haja um fornecimento de um motor por uma empresa independente, a ser escolhida pela FIA.
A ideia de um “motor de prateleira” não é nova. De certa forma, os últimos regulamentos de motor preveem uma instalação “padrão” para os motores, de modo a permitir uma mudança rápida de fornecedor. Entretanto, as coisas não são tão simples assim.
A ideia de Ben Sulayem é: se uma equipe não conseguir um acordo com um fornecdor ou usar motor próprio, terá a oportunidade de escolher o motor do fornecedor independente indicado pela FIA.
Basicamente, seria uma volta aos anos 70, quando o motor Ford Cosworth se tornou praticamente onipresente no grid da F1. Mesmo tendo equipes preferenciais, era uma unanimidade: era um motor simples, econômico, razoavelmente potente e barato e de fácil manutenção. Uma equipe iniciante garantia um acordo de fornecimento de motores e pneus, um amontoado de duraluminio, alguns mecânicos e ia para pista.

Podemos sim dizer que parte da competitividade daquele tempo veio da existente dos Ford Cosworth. De certa forma, serviu para consolidar o regulamento introduzido em 66 com os 3 litros e o motor passou ficou praticamente sem grandes alterações até meados dos anos 80, quando já se tornou quase impossível lutar com os turbos.

Temos que lembrar que a F1 praticamente se tornou “escravo” dos Cosworth justamente pelas qualidades citadas acima. É a mesma situação que temos hoje no Endurance com os LMP2: embora tenhamos várias marcas habilitadas a fornecer chassis, a ORECA se impôs como melhor conjunto e hoje tornou a categoria como monomarca.
Ainda temos que lembrar de 2010, quando Max Mosley, com a mesma intenção de reduzir a influencia dos gigantes, vendeu o projeto de que seria possível fazer uma temporada de F1 com US$ 40 milhões e convenceu a Cosworth a fornecer um motor padrão para estes times, diante de um regulamento que previa um congelamento de desenvolvimento até 2013.
Após uma seleção feira pela FIA, Hispania, Virgin e Lotus entraram neste pacote da Cosworth. Já acossada técnica e financeiramente, a Williams, que já tinha sido cliente da firma britânica em 2006, também abraçou o projeto. No ano seguinte, a Lotus foi para os braços da Renault e com o fim da aventura espanhola em 2012, a Virgin, que já tinha virado Marussia àquela altura, foi a última a usar os Cosworth em 2013.
A ideia é interessante no seu conceito. Se um motor for mais simples, o custo de fabricação e desenvolvimento se reduz e pode incentivar que novos entrantes possam querer fornecer motores. Bem como as atuais fabricantes possam espalhar seus tentáculos. E quem quiser uma opção confiável, pode usar esta solução “padrão” da FIA.
Ainda há muita discussão a ser tomada. Para que um novo conceito possa estar na pista em 2031 (se o prazo inicial for respeitado), as principais premissas de projeto devem estar definidas até 2028 pelo menos. Será um assunto palpitante demais.
Só que o diabo mora nos detalhes. Ben Sulayem já se mostrou uma pessoa tenaz em busca de seus objetivos. Conseguirá ELE o intuito de uma F1 menos dependente de montadoras? Pode também abrir possibilidades bem interessantes, incluindo um cenário de…cisão.
A ver.
por Sergio Milani
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