Scuderia Bandeiras deixa Stock Car e cria nova crise para a VICAR administrar, embora algumas equipes endossem a promotora
por Sergio Milani
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Podemos dizer que não é de hoje que a Stock Car tem passado por águas agitadas. Desde a introdução do novo carro em 2025, a categoria tem enfrentado uma série de situações que acabam minando sua credibilidade. Algumas, não de sua responsabilidade. Outras, que acabam caindo diretamente na conta da VICAR (promotora da categoria). O fato é que hoje o fã de automobilismo das plagas brazucas já fica se perguntando qual será a novidade da Stock Car e infelizmente acaba não sendo necessariamente vinda de dentro da pista…
O último capítulo desta história ocorreu na ultima quarta (dia 01/07) quando a Scuderia Bandeiras, time capitaneado por Atila Abreu, anunciou a sua retirada imediata da categoria. A gota d’água teria sido a confirmação pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva da desclassificação da etapa de Interlagos, onde a inspeção técnica declarou que os freios estariam fora do regulamento e tiraram Nelson Piquet Jr e Rubens Barrichello da classificação da etapa. Porém, desandou uma série de situações que vinham se desenrolando nos bastidores e foram expostos pela Scuderia Bandeiras em suas redes sociais.
Em sua argumentação, o time diz que várias questões de ordem técnica, administrativas e esportivas motivaram tal decisão e que iria buscar suas compensações através dos meios cabíveis. Por outro lado, a VICAR emitiu comunicado dizendo que as desclassificações foram conduzidas pela CBA e que “impactam diretamente na segurança dos competidores” e que todos os procedimentos seguiram o que é previsto.
Em seguida, vários times soltaram em suas redes um comunicado padrão, manifestando apoio “a todas as medidas que tenham por objetivo promover o cumprimento dos regulamentos técnico e esportivo do campeonato” e se alinhando à CBA e a VICAR na “defesa dos princípios”.
Agora há uma tentativa de direcionar a narrativa e cada lado tenta colocar seus motivos: Atila Abreu esteve na Jovem Pan de Sorocaba dando entrevista, bem como Lincoln Oliveira, CEO da VICAR, deu extensa entrevista à TV Bandeirantes dando a visão da categoria sobre o acontecido e as alegações feitas pela Scuderia Bandeiras.
Ao que parece, esta situação não será tratada tão simples. Várias pontes foram queimadas neste cenário e aponta que a resolução virá através da Justiça e canais de arbitragem. E numa visão preliminar, não soa que as partes busquem algum tipo de conciliação.
A situação poderia ter sido evitada? Talvez. Uma pena que é visto uma organização como a Bandeiras fazer um investimento pesado em uma estrutura de ponta para competições no Brasil, trazendo gente de peso e montando um time com Rubens Barrichello, Nelson Piquet Jr, Rafael Suzuki e o próprio Atila Abreu, ter que tomar uma ação deste porte ousado e decisivo. Estão no seu direito e, se sentido prejudicados, foram com as armas disponíveis.
Não se pode ignorar que, nos últimos tempos, a Stock Car tem se visto em situações, para dizer o mínimo, capciosas. Desde a introdução do novo carro em 2025, baseado em SUVs, tivemos discussões sobre disponibilidade de peças, integridade de chassis, confiabilidade de motores (que motivou a volta do V8 para este ano) e questões organizacionais que acabaram minando a imagem da categoria e criando um clima longe da leveza no paddock…
É uma briga onde não existem vencedores. Todos perdem. A ver agora o que acontecerá: Haveria algum movimento concertado em que outras equipes seguiriam este processo ou o time de Atila Abreu ficará sozinho ?
Muitas perguntas surgem e aos poucos serão respondidas. Neste momento, muita poeira foi levantada, muita coisa é dita (chega até ao ponto de se falar em nova categoria em gestação) e poucas certezas aparecem. Quem perde é o automobilismo brasileiro, quando mais precisa se garantir em se fortalecer e criar categorias fortes e viáveis para que, antes de tudo, sobreviva e se viabilize cada vez como plataforma confiável de negócios, de esporte e entretenimento.
por Sergio Milani
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