{"id":9880,"date":"2026-09-15T00:51:26","date_gmt":"2026-09-15T03:51:26","guid":{"rendered":"https:\/\/aovolante.tv.br\/?p=9880"},"modified":"2026-09-15T01:16:20","modified_gmt":"2026-09-15T04:16:20","slug":"madring-como-se-constroi-em-2026-uma-pista-que-nao-deixa-correr","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aovolante.tv.br\/?p=9880","title":{"rendered":"MADRING: COMO SE CONSTR\u00d3I EM 2026 UMA PISTA QUE N\u00c3O DEIXA CORRER?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"463\" src=\"https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-54-1024x463.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-9884\" style=\"aspect-ratio:2.211687563687918;width:700px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-54-1024x463.png 1024w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-54-150x68.png 150w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-54-300x136.png 300w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-54-766x346.png 766w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-54.png 1200w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-54-1170x528.png 1170w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-54-585x264.png 585w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Madri tinha dinheiro, tecnologia, infraestrutura, espa\u00e7o para criar grandes trechos novos e uma oportunidade que os circuitos hist\u00f3ricos jamais tiveram: projetar uma pista conhecendo exatamente os carros que correriam nela. Construiu um circuito desafiador, fotog\u00eanico e extraordinariamente conveniente para receber a categoria top da FIA. O problema \u00e9 que, quando chegou a hora da corrida, descobriu-se que faltava justamente o mais elementar: condi\u00e7\u00f5es para um carro atacar o outro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 dif\u00edcil encontrar uma desculpa para o que aconteceu em Madri. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M\u00f4naco pode alegar que nasceu em 1929, Imola pertence a outra gera\u00e7\u00e3o de aut\u00f3dromos e at\u00e9 Barcelona foi concebido para carros completamente diferentes dos atuais. Mas Madring n\u00e3o pode recorrer a nenhum desses argumentos: nasceu em 2026, conhecendo o tamanho dos carros, sua aerodin\u00e2mica, a dificuldade de seguir outro competidor, os efeitos do ar turbulento e tudo aquilo que d\u00e9cadas de automobilismo ensinaram sobre o que ajuda ou destr\u00f3i uma ultrapassagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mais curioso \u00e9 que os pilotos n\u00e3o voltaram para casa dizendo que Madring \u00e9 simplesmente uma pista ruim. H\u00e1 curvas r\u00e1pidas, trechos cegos, mudan\u00e7as de dire\u00e7\u00e3o, eleva\u00e7\u00e3o, muros pr\u00f3ximos e situa\u00e7\u00f5es capazes de separar quem realmente consegue realizar uma volta r\u00e1pida. O problema come\u00e7a quando aparece outro carro na frente. A\u00ed, pista que desafiava um piloto sozinho n\u00e3o necessariamente permitiu que dois pilotos brigassem entre si.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 a\u00ed que come\u00e7am os erros. H\u00e1 curvas nas quais a frenagem acontece enquanto o carro ainda est\u00e1 mudando de dire\u00e7\u00e3o, sequ\u00eancias r\u00e1pidas que dificultam a aproxima\u00e7\u00e3o e pontos onde praticamente existe uma \u00fanica trajet\u00f3ria realmente eficiente. O piloto que vem atr\u00e1s pode at\u00e9 ser mais r\u00e1pido, mas chega \u00e0 regi\u00e3o de ataque sem a liberdade necess\u00e1ria para transformar essa vantagem numa tentativa concreta de ultrapassagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A curva 5 deveria ser justamente uma das respostas para esse problema. Ela vem depois da maior reta e, teoricamente, deveria permitir ao carro de tr\u00e1s aproveitar a aproxima\u00e7\u00e3o e atacar na frenagem. S\u00f3 que a geometria da chicane n\u00e3o produziu o efeito esperado e a oportunidade existia s\u00f3 no mapa: como numa pista de kart indoor, o defensor controlava a pista e o atacante tinha poucas alternativas. N\u00e3o por acaso, depois da estreia, aquela regi\u00e3o passou a fazer parte das discuss\u00f5es sobre mudan\u00e7as para 2027.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E ent\u00e3o apareceu Lando Norris olhando para outro ponto da pista e propondo algo quase desconcertante pela simplicidade: retirar as curvas 18 e 19, prolongar a reta e chegar a um hairpin mais largo. Em outras palavras, tirar duas curvas pensadas para serem &#8220;interessantes&#8221; para criar uma situa\u00e7\u00e3o de corrida &#8220;mais interessante&#8221;. A ideia n\u00e3o \u00e9 apenas uma prefer\u00eancia pessoal. Ela est\u00e1 correta e toca exatamente no problema conceitual do Madring: talvez tenham se preocupado demais em criar curvas para desafiar o piloto e de menos em criar sequ\u00eancias capazes de colocar dois pilotos lado a lado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa suspeita ficou ainda mais forte quando tive acesso a documentos publicados antes da corrida. O material de apresenta\u00e7\u00e3o do Madring identificava determinados lugares como &#8220;oportunidades claras de ultrapassagem&#8221;. A curva 1 deveria oferecer uma forte frenagem depois de alta velocidade; a regi\u00e3o da 17 aparecia novamente como um ponto de ataque; e a curva 20 repetiria a f\u00f3rmula. Portanto, seria errado afirmar que os respons\u00e1veis pelo projeto esqueceram as ultrapassagens. Eles pensaram nelas, calcularam velocidades, estudaram frenagens e acreditaram que funcionariam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00f3 que n\u00e3o funcionaram como previsto. Claro! Eles n\u00e3o s\u00e3o pilotos!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E mais erros se seguiam. Uma grande diferen\u00e7a entre a velocidade de aproxima\u00e7\u00e3o e a velocidade de uma curva n\u00e3o cria, por si s\u00f3, uma ultrapassagem. Antes de frear, o carro de tr\u00e1s precisa conseguir chegar perto, sobreviver aerodinamicamente \u00e0 turbul\u00eancia, permanecer na esteira, sair dela no momento certo, encontrar ader\u00eancia fora da trajet\u00f3ria ideal e ainda ter espa\u00e7o para permanecer ao lado do advers\u00e1rio. Se as curvas anteriores fizeram o atacante perder alguns d\u00e9cimos e v\u00e1rios metros, uma espetacular frenagem de 280 para 100 km\/h acaba servindo apenas para que os dois carros fa\u00e7am exatamente a mesma coisa, um atr\u00e1s do outro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pergunta, portanto, deixa de ser por que Madring n\u00e3o tinha pontos de ultrapassagem. No projeto, eles existiam. A pergunta passa a ser muito mais inc\u00f4moda: <strong>se as simula\u00e7\u00f5es indicavam que aqueles pontos funcionariam, o que elas n\u00e3o conseguiram enxergar?<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"606\" height=\"345\" src=\"https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-57-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-9887\" style=\"width:780px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-57.png 606w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-57-150x85.png 150w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-57-300x171.png 300w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-57-585x333.png 585w\" sizes=\"(max-width: 606px) 100vw, 606px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>O projeto previa diferentes oportunidades de ultrapassagem. A estreia mostrou que uma forte frenagem n\u00e3o basta quando as curvas anteriores impedem que o carro de tr\u00e1s chegue suficientemente pr\u00f3ximo para atacar.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 outra descoberta muit\u00edssimo surpreendente: a Dromo, que iniciou o projeto, publicou imagens mostrando diferentes configura\u00e7\u00f5es estudadas durante o desenvolvimento do Madring. Ou seja, n\u00e3o havia um \u00fanico caminho poss\u00edvel entre IFEMA, Valdebebas, as vias existentes e as \u00e1reas onde seria poss\u00edvel construir novos trechos. As restri\u00e7\u00f5es eram reais, mas dentro delas existiam alternativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso \u00e9 importante porque elimina qualquer desculpa f\u00e1cil. \u00c9 verdade que Madring n\u00e3o foi desenhado sobre uma folha completamente em branco: aproximadamente 1,5 quil\u00f4metro dos seus 5,4 km utiliza vias p\u00fablicas, e era necess\u00e1rio conviver com edif\u00edcios, acessos, infraestrutura urbana, aeroporto, moradores e uma s\u00e9rie de condicionantes de seguran\u00e7a e mobilidade. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o estamos falando de M\u00f4naco, onde os projetistas precisam aceitar ruas que estavam ali muitas d\u00e9cadas antes de algu\u00e9m imaginar um b\u00f3lido moderno. Em Madri, partes significativas da pista foram constru\u00eddas especificamente para a corrida, houve enorme movimenta\u00e7\u00e3o de terra e o pr\u00f3prio desenvolvimento t\u00e9cnico comprova que outras solu\u00e7\u00f5es foram consideradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"667\" src=\"https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-58-1024x667.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-9888\" srcset=\"https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-58-1024x667.png 1024w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-58-150x98.png 150w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-58-300x195.png 300w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-58-768x500.png 768w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-58.png 1150w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-58-585x381.png 585w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>A pr\u00f3pria Dromo mostrou que diferentes tra\u00e7ados foram estudados para o mesmo terreno. O Madring constru\u00eddo foi uma escolha entre alternativas, e n\u00e3o simplesmente o \u00fanico circuito que poderia caber naquele lugar.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">La Monumental talvez seja a melhor demonstra\u00e7\u00e3o disso. Ela precisava ser a curva que identificaria Madring imediatamente, uma imagem capaz de aparecer na televis\u00e3o e fazer o espectador reconhecer Madri antes mesmo de algu\u00e9m dizer onde a corrida estava sendo disputada. Nesse aspecto, funcionou: \u00e9 inclinada, tridimensional, impressionante e diferente de praticamente tudo ao seu redor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a pr\u00f3pria hist\u00f3ria de seu desenvolvimento mostra que La Monumental tamb\u00e9m poderia ter sido diferente. A Dromo divulgou uma compara\u00e7\u00e3o entre uma configura\u00e7\u00e3o anterior, mais direta, e uma solu\u00e7\u00e3o posterior identificada como vers\u00e3o 16.03. A aproxima\u00e7\u00e3o foi modificada, a topografia passou a ser explorada de outra maneira e um dos objetivos declarados era preservar uma forte frenagem depois daquele trecho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso significa que os projetistas estavam estudando como os carros chegariam, qual velocidade carregariam, como utilizariam o banking e o que aconteceria na frenagem seguinte. Houve alternativas, modelagem, simula\u00e7\u00e3o e escolhas. O problema \u00e9 que a realidade da corrida mostrou que estudar uma grande frenagem ainda n\u00e3o significa compreender completamente o que acontecer\u00e1 com um carro tentando seguir outro durante as curvas anteriores. Projetista n\u00e3o \u00e9 piloto!<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"857\" src=\"https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-59-1024x857.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-9889\" srcset=\"https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-59-1024x857.png 1024w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-59-150x126.png 150w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-59-300x251.png 300w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-59.png 1200w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-59-767x642.png 767w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-59-1170x979.png 1170w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-59-585x489.png 585w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>La Monumental n\u00e3o foi determinada inevitavelmente pelo terreno. Uma solu\u00e7\u00e3o anterior foi substitu\u00edda durante o desenvolvimento pela vers\u00e3o 16.03. A mudan\u00e7a buscava aproveitar a topografia e preservar a forte frenagem posterior, mostrando que as possibilidades de corrida faziam parte dos estudos.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 justamente por isso que seria simplista dizer que faltou espa\u00e7o. N\u00e3o faltou espa\u00e7o da maneira como faltaria em M\u00f4naco. Existiam limita\u00e7\u00f5es, mas existia tamb\u00e9m capacidade para modificar profundamente determinadas regi\u00f5es do terreno e, se havia engenharia suficiente para criar uma curva inclinada monumental, movimentar terra, alterar eleva\u00e7\u00f5es e experimentar diferentes configura\u00e7\u00f5es, por que essa mesma liberdade n\u00e3o resultou em dois ou tr\u00eas pontos excepcionais onde os carros realmente pudessem disputar posi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m n\u00e3o parece razo\u00e1vel culpar a falta de dinheiro. Madring nasceu inserido num projeto muito maior que simplesmente construir um aut\u00f3dromo. A IFEMA ofereceu infraestrutura, \u00e1reas de hospitalidade e instala\u00e7\u00f5es que seriam car\u00edssimas para reproduzir num terreno isolado. O aeroporto estava perto, existia transporte p\u00fablico e o visitante internacional pode desembarcar em Madri, chegar ao hotel e alcan\u00e7ar o evento sem aquela longa viagem at\u00e9 um aut\u00f3dromo afastado da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comercialmente, a l\u00f3gica \u00e9 poderosa: patrocinadores, convidados, equipes, imprensa e turistas encontraram praticamente tudo ao redor do evento. Hot\u00e9is recebendo h\u00f3spedes e restaurantes atendendo os clientes, transportes circulando, o com\u00e9rcio se movimentando e Madri ganhando exposi\u00e7\u00e3o internacional durante todo o fim de semana. O circuito pode ter falhado esportivamente em sua estreia, mas a localiza\u00e7\u00e3o do evento estava longe de ser um erro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez esteja a\u00ed uma parte da explica\u00e7\u00e3o. Madring precisava ser pista, mas tamb\u00e9m precisava ser um enorme centro de entretenimento. Precisava funcionar para televis\u00e3o, hospitality, patrocinadores, turistas, autoridades, transporte p\u00fablico, IFEMA, moradores. Precisava criar uma imagem reconhec\u00edvel de Madri, oferecer instala\u00e7\u00f5es de alto n\u00edvel e interferir o m\u00ednimo poss\u00edvel permanentemente numa regi\u00e3o urbana. Em algum ponto dessa enorme cole\u00e7\u00e3o de interesses, a qualidade da corrida parece n\u00e3o ter recebido o mesmo cudado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A popula\u00e7\u00e3o que vive no entorno ajuda a entender essa contradi\u00e7\u00e3o. Para quem mora ali, a proximidade pode significar ru\u00eddo, bloqueios, altera\u00e7\u00f5es de tr\u00e2nsito, obras e semanas de montagem e desmontagem. N\u00e3o \u00e9 correto dizer que os moradores de Madri s\u00e3o contra a corrida; h\u00e1 posi\u00e7\u00f5es diferentes. Mas existe uma pergunta perfeitamente leg\u00edtima para quem recebe o impacto diante de casa: quanto dos benef\u00edcios econ\u00f4micos prometidos pelo evento chega efetivamente at\u00e9 ele?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"762\" height=\"507\" src=\"https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-61-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-9891\" srcset=\"https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-61.png 762w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-61-300x200.png 300w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-61-150x100.png 150w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-61-585x389.png 585w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-61-263x175.png 263w\" sizes=\"(max-width: 762px) 100vw, 762px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma derradeira revela\u00e7\u00e3o: quem deve responder pelo desenho final? Jarno Zaffelli e a Dromo participaram da concep\u00e7\u00e3o e do desenvolvimento t\u00e9cnico, enquanto a Tilke entrou posteriormente no projeto. Existe uma disputa envolvendo essa transi\u00e7\u00e3o, autoria e utiliza\u00e7\u00e3o de materiais, o que impede atribuir com seguran\u00e7a uma determinada curva problem\u00e1tica a uma ou outra empresa sem documenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas talvez procurar um \u00fanico culpado seja perder a parte mais interessante da hist\u00f3ria. Um circuito &#8220;premium&#8221; n\u00e3o nasce da cabe\u00e7a de uma pessoa. H\u00e1 projetistas, engenheiros, construtores, promotor, FIA, F\u00f3rmula 1, autoridades, seguran\u00e7a, televis\u00e3o e interesses comerciais. Algu\u00e9m desenha, algu\u00e9m simula, algu\u00e9m analisa, algu\u00e9m modifica e algu\u00e9m finalmente aprova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso a pergunta mais importante talvez n\u00e3o seja quem desenhou a curva 18 ou quem decidiu a geometria da 5. \u00c9 entender como uma cadeia formada por alguns dos profissionais mais especializados do automobilismo mundial conseguiu chegar \u00e0 estreia acreditando que o circuito produziria uma corrida melhor do que efetivamente produziu?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A boa not\u00edcia \u00e9 que nada indica que o problema seja insol\u00favel e h\u00e1 uma pista interessante escondida dentro do Madring. La Monumental d\u00e1 identidade, os trechos r\u00e1pidos desafiam os pilotos, existe eleva\u00e7\u00e3o, a classifica\u00e7\u00e3o funciona, a infraestrutura \u00e9 excelente e a localiza\u00e7\u00e3o dificilmente poderia ser mais conveniente. A organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 admite mudan\u00e7as para 2027 e a FIA apresentou recomenda\u00e7\u00f5es depois da estreia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nao \u00e9 necess\u00e1rio acrescentar nada. \u00c9 exatamente o contr\u00e1rio: .retirar duas curvas, aumentar uma reta, modificar uma chicane, criar uma frenagem em linha reta, alargar uma entrada e permitir duas trajet\u00f3rias. Isso pode fazer mais pela corrida do que qualquer nova obra espetacular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas se algumas dessas solu\u00e7\u00f5es parecem relativamente evidentes depois de uma \u00fanica corrida, por que n\u00e3o apareceram durante anos de projeto, alternativas, modelagem e simula\u00e7\u00f5es?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o faltou dinheiro, tecnologia, engenharia e tampouco faltaram op\u00e7\u00f5es de desenho. Havia limita\u00e7\u00f5es urbanas, evidentemente, mas havia tamb\u00e9m liberdade suficiente para testar solu\u00e7\u00f5es diferentes. N\u00e3o estamos diante de uma pista que ficou ruim porque n\u00e3o havia outra maneira de faz\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Houve escolhas e talvez esse seja o verdadeiro problema de Madring. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante d\u00e9cadas discutimos se a evolu\u00e7\u00e3o dos carros tornou circuitos antigos obsoletos. Madri conseguiu inverter a quest\u00e3o ao construir uma pista nova, conhecendo exatamente os carros que correriam nela, e descobrir na primeira corrida que havia criado um circuito no qual os pilotos podiam gostar de dirigir sozinhos, mas quase n\u00e3o conseguiam correr juntos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M\u00f4naco pelo menos tem uma desculpa: estava l\u00e1 quase cem anos antes desses carros existirem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Madring n\u00e3o tem.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Madri tinha dinheiro, tecnologia, infraestrutura, espa\u00e7o para criar grandes trechos novos e uma oportunidade que os circuitos hist\u00f3ricos jamais tiveram: projetar uma pista conhecendo exatamente os carros que correriam nela.&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":9884,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_lmt_disableupdate":"","_lmt_disable":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[93,104],"tags":[81],"class_list":["post-9880","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-col_pista","category-gildo-pires","tag-gildo-pires"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aovolante.tv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/aovolante.tv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aovolante.tv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aovolante.tv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aovolante.tv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9880"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/aovolante.tv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9880\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9892,"href":"https:\/\/aovolante.tv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9880\/revisions\/9892"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aovolante.tv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9884"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aovolante.tv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aovolante.tv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aovolante.tv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}