{"id":9855,"date":"2026-09-14T12:56:55","date_gmt":"2026-09-14T15:56:55","guid":{"rendered":"https:\/\/aovolante.tv.br\/?p=9855"},"modified":"2026-09-14T12:56:57","modified_gmt":"2026-09-14T15:56:57","slug":"f1-o-problema-nao-e-a-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aovolante.tv.br\/?p=9855","title":{"rendered":"F1: O problema n\u00e3o \u00e9 a rua"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Gritaria contra Madring n\u00e3o \u00e9 descabida. Mas o problema n\u00e3o \u00e9 a rua&#8230;<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Sergio Milani! <a href=\"https:\/\/sergiomilani.substack.com\/\" data-penci-link=\"external\" target=\"_blank\">Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"590\" src=\"https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-44-1024x590.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-9856\" srcset=\"https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-44-1024x590.png 1024w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-44-150x86.png 150w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-44-300x173.png 300w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-44.png 1200w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-44-768x442.png 768w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-44-1170x674.png 1170w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-44-585x337.png 585w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 hora de tomar a rua. Soa como um slogan revolucion\u00e1rio. Mas pode ser citado por um dos esportes que tem o dinheiro como uma de suas bases: o automobilismo. Cada vez mais os carros v\u00e3o deixando os campos feitos especificamente para que pudessem alegremente se estourar (aut\u00f3dromos, n\u00e3o \u00e9 isso?) e voltam a circular entre os muros montados em ruas e avenidas de grandes cidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Andar nos circuitos de rua nos \u00faltimos tempos tem sido uma solu\u00e7\u00e3o cada vez mais procurada por conta de buscar a uni\u00e3o de demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a e redu\u00e7\u00e3o de necessidade de investimentos. Hoje, para fazer um aut\u00f3dromo em n\u00edvel para receber as principais categorias mundial, \u00e9 preciso um grande investimento. Para se ter ideia, a Argentina est\u00e1 agora procedendo uma grande reforma no Aut\u00f3dromo Oscar e Juan Galvez planejando receber a MotoGP e posteriormente a F1 e a Prefeitura de Buenos Aires est\u00e1 gastando cerca de US$ 100 milh\u00f5es para tal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Obrigado por ler Scuderia Milani &#8211; por Sergio Milani! Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.Subscrever<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o basta somente um investimento para constru\u00e7\u00e3o. Mas o problema depois \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 a toa que aut\u00f3dromos mais novos tem tido a preocupa\u00e7\u00e3o de serem multiuso e os mais antigos, v\u00e3o se adaptando. Temos Interlagos como um exemplo desta adapta\u00e7\u00e3o, embora houvesse uma agenda intensa de utiliza\u00e7\u00e3o anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A sa\u00edda \u00e9 a rua<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por esta quest\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o alta para manter as instala\u00e7\u00f5es, a sa\u00edda acaba sendo a rua. Mas h\u00e1 a quest\u00e3o de exposi\u00e7\u00e3o. Se notarmos bem, as provas s\u00e3o disputadas em lugares em que suas qualidades podem ser exaltadas. Ou ainda servir como caminho para desenvolvimento de novas \u00e1reas, como foi o caso de Madri. O investimento \u00e9 alto? sim. Mas se causa um transtorno pontual e a vida prossegue. Outro exemplo disso foi a realiza\u00e7\u00e3o da Freedom 250 pela F\u00f3rmula Indy nas ruas de Washington.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o nova. Desde quando o autom\u00f3vel apareceu e iniciou-se a realiza\u00e7\u00e3o de corridas (j\u00e1 com o intuito de promo\u00e7\u00e3o de produtos), as disputas ficavam entre estradas e ruas. A partir da d\u00e9cada de 20 \u00e9 que foi acelerada a constru\u00e7\u00e3o de \u00e1reas exclusivas para corridas, especialmente por conta da seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quintess\u00eancia da corrida de rua vem desta \u00e9poca: M\u00f4naco, que come\u00e7ou a ter seu Grande Premio em 1929. E o objetivo era promo\u00e7\u00e3o do Principado e para ver e ser visto. Nada diferente de hoje em dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o passar do tempo, as ruas foram deixando de ser usadas e os aut\u00f3dromos foram tomando espa\u00e7o. Por\u00e9m, com a escalada de custos de constru\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de outras situa\u00e7\u00f5es urbanas (expans\u00e3o das cidades, especula\u00e7\u00e3o territorial, log\u00edstica, etc), as ruas foram voltando\u2026<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Espanha: exemplo do vai e vem<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Podemos pegar a Espanha, que entrou no olho do furac\u00e3o pelo Madring, como exemplo de toda esta revolu\u00e7\u00e3o: Come\u00e7ou pelas pistas de Pedralbes e Montjuich, sediadas em circuitos citadinos. Jarama, um tra\u00e7ado permanente, surgiu nos anos 60 dentro de um programa governamental e come\u00e7ou a sediar a F1 em 1970. Depois da desgra\u00e7a que foi o GP de 1975 (a hist\u00f3ria \u00e9 fartamente documentada e teve Emerson Fittipaldi como personagem principal), Jarama voltou a ficar com a prova at\u00e9 1981. Por conta dos custos da Copa do Mundo de 1982, os espanhois abriram m\u00e3o da corrida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Houve a tentativa de trazer de volta a corrida em 1984, com uma pista de rua em Fuengirola. Por conta de problemas burocr\u00e1ticos e financeiros, Estoril entrou no lugar. Mas o governo da Andaluzia, querendo ampliar o potencial turistico da prov\u00edncia, aprovou a constru\u00e7\u00e3o de um circuito em Jerez de la Frontera, que poderia receber v\u00e1rias categorias. Em tempo recorde, a pista ficou pronta para a temporada de 1986 e recebeu a F1 at\u00e9 1990 (com algumas apari\u00e7\u00f5es pontuais em 1994 e 1997 como GP da Europa). Em paralelo, a Catalunha, na esteira das Olimpiadas de 1992, tamb\u00e9m decidiu construir o seu, que recebeu a F1 at\u00e9 este ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o podemos esquecer de Val\u00eancia, que decidiu fazer um circuito de rua e sediou a F1 de 2008 at\u00e9 2012, mesmo tendo um moderno circuito permanente em seus sub\u00farbios e que a categoria esteve v\u00e1rias vezes para testes. Resultado: a crise bateu, o GP foi abandonado, uma s\u00e9rie de questionamentos apareceram sobre uso de dinheiro p\u00fablico e agora a \u00e1rea esta devidamente abandonada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(Ali\u00e1s, fica aqui a dica de seguir o amigo Speeder76. Ele publicou aqui mesmo no Substack uma boa hist\u00f3ria do GP da Espanha. Para seguir, eis o <a href=\"https:\/\/continentalcircus.substack.com\/\" data-penci-link=\"external\" target=\"_blank\">link<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Uma prova em circuito de rua n\u00e3o \u00e9 necessariamente ruim<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pedras que Madring recebe por seu desenho n\u00e3o s\u00e3o descabidas. Tanto que a prova e o vencedor ficaram totalmente em plano secund\u00e1rio e a pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 fala em potenciais mudan\u00e7as para 2027. Por\u00e9m, o que mais temos visto nos \u00faltimos anos em termos de circuitos permanentes s\u00e3o muito sem gra\u00e7a em termos de fluidez de prova. Claro que existem exce\u00e7\u00f5es, como Portim\u00e3o. Por\u00e9m, o fato de um circuito ser permanente n\u00e3o \u00e9 garantia de qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Claro que os promotores tem suas quer\u00eancias e uma s\u00e9rie de medidas tem que ser tomadas para atender \u00e0s demandas da FIA, FIme outros entes desportivos. Mas \u00e9 poss\u00edvel fazer melhor. Baku foi um exemplo de tra\u00e7ado que houve um estranhamento inicial e posteriormente foi aceita pelos f\u00e3s da F1 pela possibilidade de caos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que se questiona de Madring \u00e9 que se teve a possibilidade de fazer algo diferente e se gerou algo extremamente sem gra\u00e7a. Algumas estat\u00edsticas apareceram ap\u00f3s a prova e, mesmo n\u00e3o sendo iguais, v\u00e1rias fontes deram conta que o GP da Espanha teve menos ultrapassagens do que M\u00f4naco. N\u00e3o \u00e9 a toa que os organizadores j\u00e1 se apressaram em dizer no pr\u00f3prio dia da corrida que j\u00e1 est\u00e3o pensando em modifica\u00e7\u00f5es para incrementar a din\u00e2mica da prova (leia-se ultrapassagens).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O regulamento da F1 ajudou no resultado de uma din\u00e2mica terr\u00edvel de prova? Sim. O conservadorismo da Pirelli? Tamb\u00e9m (depois tem artigo sobre isso). Mas jogar todas as pedras em Madring \u00e9 complicado. Repetindo: nem toda a corrida de rua \u00e9 ruim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Podemos at\u00e9 pegar mais exemplos recentes de outras categorias. Indy bateu ponto este ano em Markham (Canad\u00e1) e Washington. A primeira foi um tra\u00e7ado esquisit\u00edssimo e que teve problemas para ficar pronto at\u00e9 a ultima hora. Mas entregou uma prova cheia de caos e entretenimento. Washington tamb\u00e9m teve seus percalsos, mas acabou entregando um bom espet\u00e1culo e foi um sucesso de p\u00fablico. Tanto que a Prefeitura local considera voltar a organizar a prova, desde que n\u00e3o tenha que colocar dinheiro. At\u00e9 a NASCAR bateu ponto nas ruas de Chicago e este ano foi andar dentro de uma Base Naval, que tamb\u00e9m foi um festival de caos. Mas a experi\u00eancia foi considerada positiva e deve voltar futuramente ao calend\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Madring merece cr\u00edticas? Sim. Mas temos que ver isso como um sintoma da doen\u00e7a e n\u00e3o como fim. Hoje, a F1 quer ter provas em locais \u201cancora\u201d, com muita exposi\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica. E com o gigantismo que se exige hoje de circuitos, a solu\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida acaba sendo os circuitos de rua. \u00c9 algo semelhante a outros eventos gigantescos como Olimp\u00edadas e Copa do Mundo, cujo tamanho acaba por exigir tanto recurso que depois se causa grande problema. O Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional rev\u00ea certos par\u00e2metros para que n\u00e3o se tornem indesejados. FIA e FIFA acabam indo para onde paga-se mais. E o gigantismo vai al\u00e9m, tudo para pagar a conta e se ignora o lado desportivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E olha que nem falei de regulamento\u2026Mas fica a provoca\u00e7\u00e3o: por que as provas da F-E em Monaco s\u00e3o movimentadas e a F1 \u00e9 prociss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de hoje?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caminho do meio existe. Basta querer. Mas \u00e9 bom direcionar a raiva no lugar certo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Obrigado por ler Scuderia Milani &#8211; por Sergio Milani! <br><a href=\"https:\/\/sergiomilani.substack.com\/\" data-penci-link=\"external\" target=\"_blank\">Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gritaria contra Madring n\u00e3o \u00e9 descabida. Mas o problema n\u00e3o \u00e9 a rua&#8230; Por Sergio Milani! 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