{"id":9434,"date":"2026-08-15T13:11:16","date_gmt":"2026-08-15T16:11:16","guid":{"rendered":"https:\/\/aovolante.tv.br\/?p=9434"},"modified":"2026-08-15T13:11:18","modified_gmt":"2026-08-15T16:11:18","slug":"markham-ficou-pronta-para-as-fotos-mas-nao-para-os-carros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aovolante.tv.br\/?p=9434","title":{"rendered":"Markham ficou pronta para as fotos, mas n\u00e3o para os carros"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"2560\" src=\"https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-78-scaled.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-9436\" srcset=\"https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-78-scaled.png 2560w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-78-300x300.png 300w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-78-1024x1024.png 1024w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-78-150x150.png 150w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-78-1536x1536.png 1536w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-78-2048x2048.png 2048w, https:\/\/aovolante.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-78-585x585.png 585w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O asfalto estava novo, as arquibancadas receberam um p\u00fablico numeroso e os pilotos enxergaram no tra\u00e7ado uma das pistas urbanas mais interessantes dos \u00faltimos anos. Mesmo assim, na sexta-feira, ningu\u00e9m correu em Markham. Durante horas, os \u00fanicos ve\u00edculos em movimento diante dos torcedores foram caminh\u00f5es, guindastes e m\u00e1quinas utilizadas por equipes que ainda tentavam transformar ruas rec\u00e9m-recapeadas em um circuito seguro para a IndyCar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A imagem revelou a dist\u00e2ncia entre uma pista aparentemente pronta e um evento verdadeiramente preparado. O tra\u00e7ado de 3,52 quil\u00f4metros, com 12 curvas e um incomum pit lane duplo, estava desenhado e asfaltado. Faltava, por\u00e9m, aquilo que n\u00e3o aparece nas ilustra\u00e7\u00f5es de lan\u00e7amento: muros de concreto conclu\u00eddos, cercas de prote\u00e7\u00e3o, passarelas, cabeamento de cronometragem, \u00e1reas de escape e barreiras capazes de absorver o impacto de um carro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A caminhada de reconhecimento das equipes, prevista para quinta-feira, foi adiada. O acesso ao pit lane atrasou e, na sexta-feira pela manh\u00e3, as categorias de apoio n\u00e3o puderam entrar na pista. A IndyCar ainda tentou transferir seu primeiro treino para o in\u00edcio da noite, mas, quando j\u00e1 n\u00e3o havia como esconder a realidade, cancelou toda a atividade do dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos Estados Unidos, existe certa toler\u00e2ncia com a apar\u00eancia de improvisa\u00e7\u00e3o dos circuitos urbanos. A montagem acontece enquanto a cidade continua funcionando, os \u00faltimos blocos de concreto s\u00e3o posicionados perto da abertura e pequenas modifica\u00e7\u00f5es podem ser realizadas depois que os pilotos conhecem a pista. Express\u00f5es como \u201c\u00e9 uma pista nova\u201d e \u201cfaz parte do primeiro ano\u201d s\u00e3o comuns.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi esse tom que Will Power adotou ao observar que Markham parecia estar aproximadamente um dia atrasada. Alex Palou demonstrou inc\u00f4modo, mas elogiou o desenho e o asfalto. Scott Dixon destacou a qualidade do circuito e a presen\u00e7a dos torcedores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa compreens\u00e3o, entretanto, tem um limite. Os norte-americanos aceitam que uma pista urbana necessite de ajustes; n\u00e3o consideram normal abrir os port\u00f5es, colocar o p\u00fablico nas arquibancadas e ainda n\u00e3o dispor de trabalhadores, equipamentos ou barreiras suficientes para liberar os carros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Long Beach, a mais tradicional corrida urbana do pa\u00eds, exige semanas de montagem, cerca de 2.400 blocos de concreto e milhares de pneus. Na estreia de Nashville, em 2021, foram necess\u00e1rias 18 noites de trabalho, aproximadamente dois mil segmentos de barreiras e cercas e dez mil pneus destinados \u00e0s \u00e1reas de escape. Houve dificuldades de acesso e problemas t\u00edpicos de uma primeira edi\u00e7\u00e3o, mas a pista abriu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Baltimore chegou mais perto do limite em 2012. Os carros come\u00e7aram a decolar ao passar sobre trilhos ferrovi\u00e1rios, o treino foi interrompido e uma chicane precisou ser reinstalada. A diferen\u00e7a \u00e9 importante: o problema foi descoberto com os carros na pista. Em Markham, eles sequer puderam sair dos boxes porque o circuito n\u00e3o estava conclu\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, a rea\u00e7\u00e3o inicialmente pragm\u00e1tica dos pilotos n\u00e3o torna o epis\u00f3dio banal. Ela reflete uma cultura habituada a trabalhar durante a madrugada e resolver problemas no local. Quando Doug Boles responsabilizou publicamente o promotor, ficou evidente que at\u00e9 essa toler\u00e2ncia havia sido ultrapassada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema mais profundo come\u00e7ou antes da sexta-feira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parte do circuito ocupa a \u00e1rea da esta\u00e7\u00e3o Unionville GO, que continuou funcionando durante a montagem. Os estacionamentos mais pr\u00f3ximos do pit lane, justamente um dos setores mais complexos da estrutura, s\u00f3 foram integralmente entregues \u00e0 Green Savoree ao final da quarta-feira. Na pr\u00e1tica, o promotor recebeu uma \u00e1rea essencial pouco mais de 24 horas antes do in\u00edcio das atividades esportivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era uma janela quase sem margem para erro. N\u00e3o bastava instalar as estruturas: era necess\u00e1rio conferir cada trecho, corrigir problemas e submeter o circuito \u00e0 inspe\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. Quando algo ficou para tr\u00e1s, j\u00e1 n\u00e3o havia tempo para recuperar o atraso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o absolve a Green Savoree. A empresa promove as etapas de St. Petersburg, Mid-Ohio e Portland e comandou durante anos a corrida em Toronto. Exatamente por possuir tanta experi\u00eancia, deveria ter dimensionado melhor o volume de material, equipamentos e trabalhadores necess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Relatos do paddock indicaram falta de pessoal e equipamentos para concluir cercas e muros. Tamb\u00e9m havia quantidade insuficiente de pacotes de pneus em alguns pontos de impacto. Essas barreiras n\u00e3o podem ser simplesmente empilhadas: os pneus precisam ser agrupados, presos, posicionados e revestidos corretamente, em um processo demorado que n\u00e3o admite improvisa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que parecia atraso de montagem tornou-se um problema de seguran\u00e7a. A IndyCar tomou a \u00fanica decis\u00e3o poss\u00edvel e n\u00e3o liberou a pista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Markham tamb\u00e9m revelou uma diferen\u00e7a subestimada por todos. A antiga corrida de Toronto carregava quase quatro d\u00e9cadas de conhecimento acumulado. Em Exhibition Place, os organizadores sabiam onde instalar cada muro, como posicionar arquibancadas, preservar acessos e montar o circuito. Em Markham, tudo precisou ser aprendido pela primeira vez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da Green Savoree, da IndyCar e da prefeitura, o projeto depende da Metrolinx, da opera\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria, dos transportes regionais, de propriet\u00e1rios privados, incorporadores, universidade, YMCA, pol\u00edcia, bombeiros e servi\u00e7os municipais. Nenhuma dessas entidades controla isoladamente todo o territ\u00f3rio, e cada uma possui necessidades e prazos pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pista nasceu dentro de um quebra-cabe\u00e7a urbano. Tentou-se manter a esta\u00e7\u00e3o funcionando, preservar a circula\u00e7\u00e3o, reduzir o impacto sobre moradores e empresas e, simultaneamente, construir um circuito capaz de receber carros a mais de 300 quil\u00f4metros por hora. Nesse equil\u00edbrio, o cronograma esportivo ficou sem espa\u00e7o para conting\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mudan\u00e7a tamb\u00e9m carregava pressa. Exhibition Place tornou-se indispon\u00edvel por causa da Copa do Mundo e das interven\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o. A IndyCar precisava preservar sua \u00fanica corrida no Canad\u00e1, enquanto Markham enxergava a oportunidade de entrar no calend\u00e1rio internacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em vez de uma solu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria, foi assinado um contrato de cinco anos. O an\u00fancio ocorreu em setembro de 2025 e, menos de um ano depois, o evento deveria estar funcionando. Nesse intervalo, a cidade investiu mais de 12 milh\u00f5es de d\u00f3lares canadenses em recapeamento, alargamento de vias, reposicionamento de postes, altera\u00e7\u00f5es de canteiros e constru\u00e7\u00e3o do pit lane duplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado permanente recebeu elogios. Palou, Dixon, Power e outros pilotos destacaram a superf\u00edcie uniforme, a largura vari\u00e1vel das ruas e as possibilidades de ultrapassagem. A contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 evidente: o investimento mais vis\u00edvel foi realizado, mas a montagem tempor\u00e1ria, que exigia coordena\u00e7\u00e3o quase militar, chegou atrasada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A prefeitura projetava entre 140 mil e 150 mil visitantes, cerca de 19 mil di\u00e1rias de hotel e aproximadamente 50 milh\u00f5es de d\u00f3lares canadenses em atividade econ\u00f4mica. Havia dinheiro, turismo, prest\u00edgio pol\u00edtico e imagem institucional envolvidos. Admitir antecipadamente que a constru\u00e7\u00e3o estava amea\u00e7ada colocaria em d\u00favida um projeto apresentado como uma das maiores celebra\u00e7\u00f5es esportivas da hist\u00f3ria de York Region.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos continuaram acreditando que seria poss\u00edvel vencer o rel\u00f3gio. A Green Savoree esperava recuperar o atraso, a cidade confiava nas obras e libera\u00e7\u00f5es, enquanto a IndyCar acompanhava a situa\u00e7\u00e3o e enviava apoio adicional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando ficou evidente que os carros n\u00e3o poderiam entrar na pista, Doug Boles adotou um tom raramente usado contra um parceiro tradicional. Declarou que a categoria estava \u201cextremamente decepcionada\u201d porque o promotor n\u00e3o havia conclu\u00eddo a constru\u00e7\u00e3o, apesar do apoio significativo oferecido pela pr\u00f3pria IndyCar. Em seguida, pediu desculpas aos torcedores e agradeceu diretamente \u00e0 cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A divis\u00e3o p\u00fablica de responsabilidades foi clara: Markham investiu e entregou um tra\u00e7ado promissor; a IndyCar tentou ajudar e protegeu a seguran\u00e7a; os torcedores foram prejudicados; e a Green Savoree ficou identificada como respons\u00e1vel pelo fracasso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, se a categoria j\u00e1 oferecia assist\u00eancia adicional e o adiamento da caminhada mostrava que a montagem estava atrasada desde quinta-feira, o risco era conhecido. A IndyCar permitiu que o trabalho continuasse at\u00e9 o \u00faltimo momento esperando evitar o desgaste do cancelamento. Quando isso se tornou imposs\u00edvel, Boles protegeu a categoria e a rela\u00e7\u00e3o com a cidade, colocando o promotor no centro do constrangimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o h\u00e1, at\u00e9 agora, evid\u00eancia s\u00e9ria de corrup\u00e7\u00e3o, sabotagem ou desvio de recursos. O que aparece nos bastidores \u00e9 menos cinematogr\u00e1fico, mas suficientemente grave: \u00e1reas liberadas tarde demais, falta de trabalhadores, equipamentos e barreiras, excesso de confian\u00e7a e aus\u00eancia de margem de seguran\u00e7a no cronograma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Green Savoree falhou diretamente na execu\u00e7\u00e3o, mas a origem do problema \u00e9 compartilhada. A cidade precisava conciliar a pista com a vida urbana, a Metrolinx n\u00e3o poderia simplesmente interromper sua opera\u00e7\u00e3o, a IndyCar precisava preservar a corrida canadense e o promotor assumiu que conseguiria montar tudo dentro de uma janela perigosamente apertada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos aceitaram o risco. Quando ele se materializou, apenas um recebeu publicamente a culpa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A programa\u00e7\u00e3o ficou comprimida, obrigando pilotos e equipes a conhecer uma pista in\u00e9dita em dois treinos no s\u00e1bado antes da classifica\u00e7\u00e3o. Isso reduz o tempo para corre\u00e7\u00f5es, aumenta a press\u00e3o sobre engenheiros e mec\u00e2nicos e prejudica especialmente as equipes menores. As categorias de apoio tamb\u00e9m pagam a conta, pois seus hor\u00e1rios s\u00e3o os primeiros sacrificados para proteger a prova principal e sua transmiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ironicamente, o vexame poder\u00e1 resultar em uma \u00f3tima corrida. O asfalto uniforme, o circuito desconhecido e a escassez de informa\u00e7\u00f5es podem provocar erros, ultrapassagens e estrat\u00e9gias inesperadas. Nada disso, entretanto, apaga o que aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Markham foi apresentada como o novo futuro canadense da IndyCar, mas sua estreia come\u00e7ou com milhares de pessoas olhando para trabalhadores que ainda instalavam estruturas essenciais para impedir que um acidente se transformasse em trag\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois da corrida, haver\u00e1 uma conversa dif\u00edcil entre IndyCar, Green Savoree, Markham e os demais parceiros. Ser\u00e1 necess\u00e1rio antecipar a libera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas cr\u00edticas, ampliar a m\u00e3o de obra, redefinir responsabilidades e discutir o tratamento dado aos torcedores que passaram a sexta-feira nas arquibancadas sem assistir a qualquer atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os norte-americanos est\u00e3o acostumados a circuitos urbanos que parecem ficar prontos no \u00faltimo minuto. Faz parte do espet\u00e1culo ver uma cidade transformar-se, quase da noite para o dia, em um aut\u00f3dromo. O que n\u00e3o faz parte do espet\u00e1culo \u00e9 descobrir que o \u00faltimo minuto chegou, os port\u00f5es foram abertos e a pista ainda n\u00e3o podia receber um carro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O asfalto ficou pronto. As arquibancadas ficaram prontas. A publicidade ficou pronta. Mas a corrida, aquela que come\u00e7a muito antes de o piloto ligar o motor, chegou atrasada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O asfalto estava novo, as arquibancadas receberam um p\u00fablico numeroso e os pilotos enxergaram no tra\u00e7ado uma das pistas urbanas mais interessantes dos \u00faltimos anos. 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