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Quem se despediu em 2021…

Tudo na vida tem começo, meio e fim. No mundo automotivo não é diferente, e as despedidas são difíceis.

Por exemplo, o Opala, que ganhou títulos como Carro do Ano e foi por duas vezes considerado o carro mais veloz do país, ostenta também o título de carro da General Motors com recorde de tempo de produção no Brasil, 24 anos. Quando o modelo parou de ser produzido em 1992 deixou órfã uma leva de fãs aficionados pelo sedã.

Por outro lado, o Volkswagen Fusca é um que tem a história um pouco diferente, ele foi descontinuado em 1986 e depois ressurgiu com o polêmico pedido do presidente da república em 1993, apenas para ser novamente descontinuado 3 anos depois. Além disso, um terceiro Fusca surgiu no Brasil em 2011, equipado com motor 2.0 litros TSI, mas este também teve sua produção encerrada em 2019. Diferente do Fusca, que teve seu “fim” postergado por três vezes, a história mostra que os modelos nascem através de um estudo de mercado, ou seja, as montadoras buscam o que o público (comprador) deseja naquele momento e então passa a produzir e distribuir o carro que mais se adequa aos anseios dos consumidores.

Contudo, o gosto e as necessidades do mercado mudam constantemente e não existe projeto de carro infalível, por mais acertado que seja, é difícil, senão impossível, que ele viva eternamente. Pode-se dizer, portanto, que todo o projeto de veículo passa necessariamente por 3 fases distintas, sendo:

  1. O Lançamento (início) – todos aguardam ansiosos como será o novo carro, qual seu preço, desempenho e novidades. Essa seria a fase mais romântica, alguns se apaixonarão pelo carro sem ao menos conhecê-lo e outros serão céticos quanto ao novo produto;
  2. Ápice das Vendas (meio) – momento no qual o carro mais conquista adeptos e sua venda atinge sua marca máxima. Essa fase é a mais difícil de identificar, devido ao fato de só sabermos que um carro atingiu o seu ápice de vendas quando essa curva começa a cair;
  3. Descontinuação (fim)a última e mais cruel das fases, aquele fatídico momento que a montadora informa aos consumidores que o carro não será mais produzido.

Todos os anos vários novos modelos de carros são lançados e vários modelos antigos são descontinuados. Há poucas semanas a revista Car and Driver anunciou os carros que serão descontinuados no ano de 2021 no mercado americano.  Apesar do mercado americano não ser idêntico ao mercado brasileiro, a descontinuação de um carro nos Estados Unidos é uma clara indicação que o mesmo ocorrerá no Brasil.

Mas afinal, quem se despede em 2021?

Honda Fit

webmotors.com.br

Sim, o famoso carrinho da Honda chega ao seu fim após quase 20 anos de produção. Nunca foi um carro empolgante de ser dirigido, mas sem dúvida a qualidade de construção, alinhada com a economia e a versatilidade do Honda Fit fizeram com que o carro tivesse um razoável sucesso de venda durante quase duas décadas. Entretanto, o mercado de compra não está favorável para o Fit e a montadora japonesa anunciou formalmente que ele não será mais fabricado em 2021.

BMW I8

novocarro.net

O bólido da montadora alemã foi lançado em 2014, de gosto duvidoso, seu design remetia a um superesportivo. Dotado de um sistema híbrido (motor a gasolina + motor elétrico) o I8 foi um fracasso para a BMW. O carro tem um motor 1.5 de 3 cilindros a gasolina, mas o preço de um V12 bi-turbo e seu desempenho fraco com o motor a gasolina não era compensado pelo motor elétrico. Se um dono de I8 desavisado alinhasse o híbrido com um Tesla, o BMW só iria ver as lanternas traseira do Tesla. O I8 mostrou para a BMW que se ela quiser entrar no mundo dos superesportivos híbridos ainda há um longo caminho a ser percorrido.

Chevrolet Sonic

cars.usnews.com

Lançado em 2012, ele copiou a fórmula e era esperado que tivesse o mesmo sucesso nos anos 2010 que o Chevrolet Corsa teve na década de 1990. Entretanto, um carro jovial e despojado não era o que o mercado queria. Não foi por falta de investimento que o Sonic fracassou, na realidade, até em Hollywood o Sonic apareceu em uma ponta no filme Transformers. Na época, a Chevrolet pretendia encantar os jovens mas conseguiu foi levar o carro ao ridículo no filme. Na vida real o Sonic não foi ouvido e teve sua descontinuação anunciada precocemente, sem dúvida pela resposta que o mercado deu nas vendas do carro.

Dodge Journey

www.dodge.

A Dodge Journey (irmã gêmea do Fiat Freemont) foi uma SUV no mínimo disruptiva. Quando seu lançamento foi anunciado em 2007 a Journey trouxe a briga das SUVs para outro patamar. Equipada em sua versão de entrada com um motor Pentastar de 2,7 litros que gerava 185CV, depois remotorizada com outro Pentastar 3.6 litros de 280CV a SUV era sensacional para ser dirigida. Com potência superior a muitos esportivos, o carro levava confortavelmente 7 passageiros e tinha um “jeitão” de carro pronto para enfrentar qualquer situação. Entretanto, o seguimento de SUVs no mundo automotivo é um dos mais ativos e a Journey acabou ficando ultrapassada, o que já era perceptível em suas vendas. Em um último suspiro ela foi remotorizada pela terceira vez, seguindo sua irmã gêmea da Fiat, com um motor 4 cilindros de 2.4 litros e 173CV, mas já era tarde e o modelo não será mais fabricado em 2021.

Honda Civic SI

g1.globo.com

Baseado na simplicidade do Civic a Honda lançou o Civic SI em 1984 e na década de 90 o carro ganhou a popularidade dos jovens e mudou o conceito dos esportivos ao redor do mundo. O SI tinha potência, dirigibilidade e o melhor, podia ser infinitamente tunado, tudo por um preço acessível. Com seu motor 4 cilindros i-VTEC DOHC – comando de válvula variável – em sua última geração saia de fábrica com potência acima de 200CV. Entretanto, com um kit turbo e nitrox o bólido ultrapassava 400CV. O SI deixou muito proprietário de carros V8 com preços 3 ou 4 vezes superiores arrependidos de ter gasto uma fortuna com um carro de desempenho inferior ao motor 4 cilindros da Honda. O carro fez tanto sucesso que apareceu diversas vezes na saga Hollywoodiana Velozes e Furiosos. Ultimamente, porém, os Civic(s) modelo SI estavam encalhando nas autorizadas, em grande parte porque surgiram opções mais modernas, com potência similar e também fáceis de tunar. Quase todas essas opções se inspiraram no SI, mas a resposta do mercado mostrou que o público queria algo novo e diferente. O anúncio da Honda em parar a fabricação do SI está calcado, provavelmente, nas baixas vendas da unidade, contudo, aposto no retorno do SI após alguns anos, no mesmo estilo que a Volkswagen fez com o GTS em 2020.

Mercedes Benz SLC/SLK

carsdirect.com

A versão roadster da Mercedes-Benz teve seu início de fabricação em 1957 e desde então passou por várias atualizações. Já teve sua frente arredondada, quadrada, traços mais altos, traços mais baixos e até capô imitando carro de Fórmula 1, uma infinidade de formas todas para manter o bólido dentro do gosto do consumidor…   O mundo mudou bastante desde que James Bond dirigiu a BMW Z3 no filme 007 Contra GoldenEye. Foi esse filme que atualizou o jeito do mundo ver os carros roadsters,  pequenos conversíveis de dois lugares, leves e com motores relativamente pequenos, mas com preço de SUVs de alto luxo e 7 lugares. O filme ajudou sobremaneira a Mercedes-Benz, assim como outras montadoras a impulsionar as vendas dos modelos roadsters, mas depois de mais de incríveis 60 anos, o gosto do consumidor levou à decisão de interrupção. Quando um bom carro é descontinuado é comum lamentar, mas gostar de um veículo e ficar triste que ele não será mais fabricado não significa que estávamos dispostos a comprá-lo, foi o caso do Opala, do Fusca e agora da Mercedes-Benz SLC (chamada de SLK até 2016).

Toyota Yaris

toyota.com.br

Lançado no Japão em 1999 o Yaris pretendia ocupar o lugar de um carro versátil e econômico sem grandes pretensões de design. No Brasil o carro foi lançado em 2019 e logo recebeu um impacto negativo em suas vendas. A interrupção nos Estados Unidos não significa que a Toyota paralisará sua comercialização aqui na América do Sul, mas é um forte indicio de que algo vai mal com o Yaris. Ele é um compacto em um mundo que os consumidores buscam os CrossOvers, SUVs ou no mínimo hatchs mais promissores, como o Volkswagem Polo. Nesse quesito o Yaris ficou caro para competir com os populares e desatualizado para competir com os novos hatchs.

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